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21.11.12

Rafael Alvarez e Elena Córdoba estreiam obras apresentadas no Citemor

No próximo fim-de-semana, o festival dá continuidade à sua presença em Lisboa e em Madrid com a estreia de duas obras que tiveram uma primeira apresentação em Montemor-o-Velho


(Vídeo de Hugo Barbosa e Pamela Gallo)

Reconhecido por proporcionar um primeiro encontro de obras com o público – espectáculos ainda em fase de criação, antestreias ou estreias absolutas –, o Citemor desempenha um papel fundamental enquanto produtor de novas obras, permitindo levantar o véu sobre a temporada seguinte. “sweetSKIN”, de Rafael Alvarez, e “Atlas, el gigante y la vértebra”, de Elena Córdoba, apresentados na edição deste ano do festival como antestreias, estreiam agora em Lisboa e Madrid, respectivamente. “sweetSKIN” fez ainda parte da programação da extensão do Citemor a Madrid, em Outubro, e a mais recente criação da bailarina e coreógrafa espanhola decorre agora no âmbito do XXVII Festival Internacional Madrid en Danza.
Um encontro improvável entre a personagem de um skinhead com as Suites para Violoncelo Solo de Bach. É isto que nos sugere Rafael Alvarez. O bailarino e coreógrafo português, acompanhado pelo violoncelista Nuno Abreu, procura reflectir sobre os nossos modos de ver e perspectivar a realidade, desenvolvendo algumas ideias-chave relacionadas com o papel dos estereótipos, dos preconceitos e dos equívocos face à representação do corpo e da identidade. O espectáculo decorre nos dias 23 (21h) e 24 de Novembro (19h), no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
O Teatro Pradillo, em Madrid, acolhe “Atlas, el gigante y la vértebra”, a mais nova criação da bailarina e coreógrafa Elena Córdoba, onde a artista espanhola constrói um paralelismo entre a primeira vértebra da coluna (de seu nome Atlas) e Atlas, o gigante castigado por Júpiter, que o obrigou a segurar o céu para que este não desabasse sobre a terra. A obra, com estreia marcada para os dias 23, 24 e 25 de Novembro, vem no seguimento do projecto “Anatomia Poética” sobre o qual a bailarina e coreógrafa tem vindo a trabalhar nos últimos anos, tendo apresentado no Citemor as obras “La mujer de la lágrima”, “Museos del silencio”, “Todo lo que se mueve está vivo” e “Expulsadas del paraíso.

12.11.12

Branca de Neve viaja para Madrid

O mais recente trabalho da bailarina e coreógrafa espanhola Olga Mesa, "El lamento de Blancanieves", vai ser apresentado entre os dias 14 e 17 de Novembro, no Teatro Pradillo


(Vídeo de Hugo Barbosa e Pamela Gallo)

Depois da apresentação na Culturgest, em Lisboa, "El lamento de Blancanieves", de Olga Mesa, terá agora lugar em Madrid, no âmbito do XXVII Festival Internacional Madrid en Danza. O espectáculo, interpretado pela própria Olga Mesa e pela portuguesa Sara Vaz é uma co-produção entre Portugal (Citemor), Espanha e França e pode ser visto entre os dias 14 e 17 de Novembro, às 21h, no Teatro Pradillo. 
Inspirado no poema de Robert Walser e no filme de João César Monteiro, "El lamento de Blancanieves" foi criada em residência artística em Montemor-o-Velho, em 2010, tendo estreado em Guimarães - Capital Europeia da Cultura, em Março de 2012. 
Ainda no âmbito do XXVII Festival Internacional Madrid en Danza, o Teatro Pradillo acolhe, também, Elena Córdoba e a sua nova criação "Atlas, el gigante y la vértebra", uma obra que teve estreia na edição deste ano do Citemor. O espectáculo decorrerá nos dias 23, 24 e 25 de Novembro. O festival, a decorrer desde 5 de Novembro, é organizado pela Comunidad de Madrid e conta com mais de 50 apresentações de 22 espectáculos diferentes, ocupando a rede de teatros da capital espanhola.

Para mais informações visite os sites do Teatro Pradillo e do XXVII Festival Internacional Madrid en Danza.

1.10.12

Citemor em Madrid


De 4 a 14 de Outubro o festival de Montemor-o-Velho estende-se à capital espanhola afirmando a vitalidade e potencial do projecto





É no Teatro Pradillo, em Madrid, que decorre a extensão da 34ª edição do Citemor, um programa que conta com 9 sessões de 3 espectáculos, uma vídeo-instalação, duas “maratonas” de vídeo e uma projecção de cinema.
Uma criação em progresso do Teatro do Vestido, “Monstro (parte 1: Calamidade)”, abre o programa. Esta é a primeira parte de um projecto dividido em três (1: Calamidade; 2: Hecatombe; e 3: Apocalipse), em que o colectivo expõe a situação económica e social em que Portugal se encontra, entendendo que “este é o momento para fazer teatro sobre isto”. “A ‘isto’ chamámos calamidade, e ao conjunto de calamidades que nos trouxeram até aqui, chamámos monstro”, lê-se na sinopse da obra. O espectáculo será apresentado nos dias 4, 5 e 6 de Outubro, às 21h.
Também a partir do dia 4, e até ao final do programa, Luís Alegre passa por Madrid com uma versão para o Teatro Pradillo de “Play Them #02”, vídeo-instalação apresentada na edição de 2011 do Citemor. “Play Them #02 [Pradillo]” é composta por quatro animações produzidas para o festival em que o artista, após pesquisar os registos videográficos do Citemor, opta por intervir sobre a documentação da obra da coréografa Elena Córdoba, artista residente no Teatro Pradillo. A presença de Luís Alegre no Citemor decorre de um programa de curadorias delegadas na área das artes visuais, tendo a sua obra sido comissariada por José Maçãs de Carvalho.
Nos dias 7 (das 12h às 24h) e 14 (das 12h às 20h) de Outubro decorre “Maratón de Video”, uma mostra de vídeos de criadores espanhóis no Citemor comissariada por Fernando Renjifo. Os vídeos são realizados por Hugo Barbosa, colaborador do festival de Montemor-o-Velho, e dizem respeito a espectáculos apresentados no Citemor a partir de 1999. Entre os vídeos propostos encontram-se obras que não estrearam em Madrid, criações in situ e obras realizadas numa grande diversidade de espaços que o festival vem a ocupar em Montemor-o-Velho (ruínas, armazéns industriais, igrejas, campos de arroz, etc.). Esta acção documenta também a relação que os criadores estabelecem com os espaços e a forma como estes marcam as suas criações.
A segunda semana do programa segue nos dias 11, 12 e 13 de Outubro com dança em dose dupla: Francisco Camacho e Rafael Alvarez. “Nossa Senhora das Flores”, um solo do bailarino e coreógrafo português Francisco Camacho, estreado em 1993, é uma das obras de referência da dança contemporânea portuguesa.  Segue-se Rafael Alvarez com a antestreia de “sweetSKIN”, solo com estreia marcada para Novembro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Realizando um investimento marcante no desenvolvimento do seu trabalho a solo, o bailarino e coreógrafo português questiona “de que forma é que a percepção de qualquer imagem é afectada pelo que sabemos, pelo que acreditamos, da mesma forma que a distância ou a proximidade definem a perspectiva de como olhamos e analisamos um objecto ou uma acção.” Os espectáculos decorrem às 21h.
A presença do Citemor em Madrid termina com cinema. “Montemor”, de Ignasi Duarte, uma co-produção Citemor, Periferia Filmes e Pão Filmes, estreou no FID Marseille 2012 onde conquistou uma Menção Honrosa na categoria de Primeiras Obras. “Montemor” tem estreia em Espanha no dia 14, às 21h, no Teatro Pradillo.
O Citemor transporta para Madrid o modelo de acesso aos espectáculos experimentado na sua última edição, onde cada espectador define o preço do bilhete de acordo com a sua condição financeira e expectativas.


Indicador de vitalidade
O Citemor designou, estrategicamente, o espaço peninsular como a sua zona de intervenção preferencial, concretizando na sua relação com Espanha parte nuclear da sua internacionalização. Durante mais de duas décadas, o Citemor revelou em Portugal criadores espanhóis, acompanhou os seus percursos e co-produziu novas obras, ao mesmo tempo que captava financiamentos e apoios para participar produções nacionais e ampliar a difusão dos artistas portugueses nas diversas autonomias. A presença do festival em Madrid surge, de acordo com a direcção do Citemor, “de forma natural, como algo orgânico que resulta de uma prática e uma ética constantes”. A direcção acrescenta ainda que “a ocupação do Teatro Pradillo, em Madrid, durante estas duas semanas, mais do que uma distinção, é um indicador da vitalidade e potencial do projecto, apesar do sub-financiamento a que foi condenado. É um sinal do reconhecimento da influência do festival enquanto entidade produtora e da sua importância para a criação contemporânea na Península Ibérica.” 

Nova direcção do Teatro Pradillo. Fotografia de Marta Pontes


Teatro Pradillo
A 34ª edição do Citemor foi uma edição de resistência, onde se verificou uma alteração de paradigma: deixou de produzir novas obras com os criadores e companhias e passou, excepcionalmente, a ser participado por estes, que se associaram ao festival com o estatuto de co-produtores. O Teatro Pradillo, que  se uniu a esta edição de resistência com a presença de dois dos seus criadores residentes, recebe agora uma extensão do Citemor com artistas portugueses.
Situado no Bairro de Chamartín, o Teatro Pradillo foi inaugurado em 1990 e desenvolveu uma programação artística baseada na difusão de teatro independente. Em 2012, após 22 anos de actividade, uma nova direcção pretende agora revitalizar o projecto, assente num novo modelo de gestão, para assegurar uma posição de referência na criação cénica contemporânea, enfrentando os desafios artísticos, económicos e de relação com os públicos que um novo contexto sócio-económico implica.

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20.7.12

Resistir

A 34ª edição do Citemor decorre em circunstâncias extraordinárias. Após cortes sucessivos impostos pela DG Artes, que representam no nosso caso uma perda, em dois anos, de aproximadamente 75%, esta é uma edição de resistência. Um gesto simbólico que pretendemos com significado político.
Nesta edição verifica-se uma alteração de paradigma. O Citemor deixa de produzir novas obras com os criadores e companhias e passa, excepcionalmente, a ser participado por estes, que se associam ao festival com o estatuto de co-produtores. Este modelo, implementado para obviar os custos de uma paragem em 2012, é, naturalmente, irrepetível.
Numa edição particularmente difícil, só possível graças ao empenho de parte da comunidade artística, o Citemor reforça a sua presença em Coimbra partilhando a sua programação com as três principais salas da cidade: Oficina Municipal de Teatro, Teatro da Cerca de São Bernardo e Teatro Académico de Gil Vicente. 
O modelo de acesso aos espectáculos pretende ser inclusivo e desafiar o público a participar. Os bilhetes não terão preço fixo, sendo este estabelecido pelos próprios espectadores no momento da sua aquisição. Queremos viver cada momento deste festival como uma celebração, com a consciência de que poderá ser o último de 34.
Quando falamos do Citemor, não está em causa apenas um festival. O Citemor é muito mais do que uma mostra. Dada a sua vocação produtora, além de contribuir para a ampliação de um circuito de difusão, co-produz e está associado à criação de dezenas de novas obras no teatro, na dança, nas artes visuais e algumas propostas híbridas, um traço de identidade fundamental no projecto.
Apesar das dificuldades evidentes e da suspensão da programação do Teatro Esther de Carvalho, o nosso balanço não é de todo negativo. Teve estreia em Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura, "El Lamento de Blancanieves", de Olga Mesa, uma co-produção Citemor com o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, com a FRAC Alsace e com o Théâtre Pôle Sud de Strasbourg; em Junho integrámos com "Montemor", de Ignasi Duarte, a Selecção Oficial do FID Marseille, festival de referência que explora as fronteiras do cinema documental, obtendo uma Menção Honrosa; e estamos a programar para Outubro, no Teatro Pradillo, em Madrid, uma mostra de criadores nacionais.
O Citemor é hoje um factor decisivo de identidade territorial, contribuindo para uma imagem moderna da região associada à criação artística. Revela um impacto considerável na economia local e teve sempre uma estratégia de internacionalização eficaz. Mas o capital que detemos, proveniente de mais de 30 anos de uma prática continuada, está definitivamente em causa.
Neste momento queremos reafirmar algumas posições já assumidas. A cultura é um sector cronicamente sub-financiado e sub-avaliado quanto ao seu real contributo para a economia das cidades, das regiões e do país, em particular as artes performativas. Não nos parece sensato, sob o ponto de vista económico, desinvestir desta forma e impôr cortes cegos num sector que, apesar de já descapitalizado, mantinha a sua capacidade produtiva intacta.
A cultura não é uma despesa, é um investimento. A criação artística contemporânea constituirá amanhã o nosso património, o nosso legado. Um país sem criação contemporânea é um país desmaiado, sem alma e, a prazo, sem identidade.
A Direcção do Citemor