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31.7.14

24.7.14

MELHOR AMIGO | Furo

Hoje à noite, MELHOR AMIGO no Salão Brazil, às 23h30. Depois da estreia nacional de "Decomposition", de Paulo Castro, no TAGV, a noite prossegue com o concerto dos melhores amigos António Pedro Lopes e Gui Garrido. 
Depois de no início do ano se terem apresentado no Porto, em Madrid e em Paris, e de em Maio e em Junho se terem apresentado em vários palcos em Lisboa e em Leiria, o MELHOR AMIGO apresenta agora duas mãos cheias de canções entre originais e versões numa performance que olha o presente de frente com a fúria de os amanhãs saberem melhor. 

23.7.14

Melhor Amigo | Fierce

Gui Garrido é o Melhor Amigo de António Pedro Lopes, e juntos fazem canções pop sobre errância, amores experimentais e atravessar a nossa época entre ataques de pânico, clarividência e desejos de liberdade. O concerto decorre no dia de abertura do festival (24 de Julho), às 23h30, no Salão Brazil, em Coimbra.

1.11.12

Obra produzida pelo Citemor na Culturgest

O espectáculo "Measure it inches", de António Pedro Lopes e Marianne Baillot, estreou no Citemor em 2011 e vai ser apresentado na Culturgest, no âmbito do programa Celebração que decorre de 1 a 4 de Novembro. A obra é uma co-produção com o Citemor, com o Théâtre de Vanves - Scéne Nationale de Danse, com o Espaço do Tempo e com o CCN Belfort. "Measure it in inches" decorre na sexta-feira, 2, às 22h.


António Pedro Lopes e Marianne Baillot | Measure it in inches | Vídeo de Hugo Barbosa e Pamela Gallo 




Para mais informações visite o site da Culturgest.

1.8.12

Citemor continua em Montemor-o-Velho com proposta ibérica

texto de Cláudia Teixeira

O festival de Montemor-o-Velho regressa à vila do Baixo Mondego depois de ter passado pelas três principais salas de Coimbra. Até 11 de Agosto, o público pode contar com uma proposta ibérica e multidisciplinar, onde o espectador define o preço dos bilhetes 

(fotografia de Eric Costa)

A segunda semana do festival começa com bombas. “Bombas (ou agonias para estes tempos felizes de crises)” é um espectáculo “dissidente” de Susana Vidal. A obra constitui-se como a última parte da trilogia “Bombas”, da qual fazem parte também “Bombas (ou morrer durante uma semana)” e “Bombas (ou pequenas explosões a sós)”. A autora define a obra como “um trabalho em agonia (…), uma derrota intimista e, ao mesmo tempo, um grito de resistência”. Com o objectivo de “furar o nosso estar e nos deixar uma bomba nas mãos para rebentar mais tarde”, a peça vai decorrer nos dias 1 e 2 de Agosto, na Igreja de St. António, em Montemor-o-Velho, às 22h30.
Segue-se um fim-de-semana preenchido com dança e teatro. A Sala B, em Montemor-o-Velho, abre, pela primeira vez nesta edição, para receber os espanhóis Fernando Renjifo e Elena Córdoba. O primeiro chega-nos com “14 Visiones”, uma vídeo-performance criada a partir do livro ‘Las contemplaciones de los misterios’ (escrito por Ibn Al’Arabi nos finais do século XII) e interpretada pelo actor árabe Ziad Chakaroun. De acordo com o autor, “14 Visiones é uma chamada de atenção, a partir de um ateísmo anti-religioso perante a desespiritualização e despoetização da sociedade em que vivemos.” O espectáculo é uma estreia nacional e será apresentado nos dias 3 e 4 de Agosto, às 22h30. Nos mesmos dias, às 23h30, a bailarina e coreógrafa Elena Córdoba estreia “Atlas, el Gigante y la Vértebra”, que dedica a seu pai, onde a autora constrói um paralelismo entre a primeira vértebra da coluna (de seu nome Atlas) e Atlas, o gigante castigado por Júpiter, que o obrigou a segurar o céu para que este não desabasse sobre a terra. 
Continuamos com dança, com uma remontagem especial de “Nossa Senhora das Flores”, do bailarino e coreógrafo português Francisco Camacho. O solo, estreado em 1993, é uma das obras de referência da dança contemporânea portuguesa, tendo sido galardoado com a Menção Especial do Prémio ACARTE/Maria Madalena de Azeredo Perdigão 1992/93  - Fundação Calouste Gulbenkian. O público pode ver, ou rever, a obra no dia 5 de Agosto, às 22h30, no Teatro Esther de Carvalho, em Montemor-o-Velho.
“Black Cats Can See In The Dark But Are Not Seen”, é o que o Citemor propõe para os dias 7 e 8 de Agosto. A obra é de Dinis Machado e constitui “um trabalho para três performers em acção para construir um único corpo”. “Através da sua relação com os materiais mais precários eles constroem dispositivos e olhares provisórios, num espaço onde o corpo enquanto elemento metabólico fundamental, se revela a si mesmo enquanto fonte primeira de desejo, vontade, possibilidade e prazer.” A obra, co-produzida com o Citemor, teve residência artística em Berlim (com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian) e será apresentada como uma antestreia, no Teatro Esther de Carvalho, às 22h30.
Prefere estar de pé, sentado ou deitado? António Pedro Lopes é peremptório: ‘melhor sentado do que de pé melhor deitado que sentado’. A frase pertence a Samuel Beckett e é com ela, no encontro com Jorge Gustavo de Figueiredo Ciríaco e com a obra ‘Sete na Cama’, de Louise Bourgeois, que o performer propõe “Agosto, melhor sentado do que de pé melhor deitado que sentado”. António Pedro Lopes sugere que procuremos estas referências no Google e as consumamos sem parar e sem moderação. E sugere um encontro, convidando os espectadores a “invadir um espaço doméstico e a permanecerem penetráveis”. A obra, proposta como uma apresentação informal e intimista, vai decorrer em duas sessões por dia (22h30 e 23h30), nos dias 9 e 10 de Agosto, nas Escadas Dr. Baptista Loureiro s/n, em Montemor-o-Velho.
A fechar a 34ª edição do Citemor, no dia 11 de Agosto, o Teatro do Vestido apresentará “Monstro (parte 1: Calamidade)”, uma criação em progresso. O colectivo explica que “o país onde nascemos está a saque” e que “este é o momento para fazer teatro sobre isto”. “A ‘isto’ chamámos calamidade, e ao conjunto de calamidades que nos trouxeram até aqui, chamámos monstro”, lê-se na sinopse. O projecto “Monstro” tem três fases e vai decorrer durante o resto do ano de 2012: 1.Calamidade, em Montemor-o-Velho e Lisboa; 2.Hecatombe, em São Paulo; e 3.Apocalipse, em Lisboa. “Monstro (parte 1: Calamidade)” pode ser visto na Sala B, em Montemor-o-Velho, às 22h30.
Até ao dia 11 de Agosto, o público pode ainda visitar a instalação “De Costas”, do Teatro O Bando, na Praça da República, em Montemor-o-Velho, a qualquer hora do dia ou noite. Das 19h às 22h (excepto às segundas-feiras), no Quarteirão das Artes, está patente a vídeo-instalação “GATÕES - Fábrica de Descasque de Arroz 1 a 9 de 9”, de Susana Anágua, uma obra que se centra na produção de arroz característica do Baixo Mondego. As entradas são de livre acesso.
Sob o lema ‘Quem dá o que pode a mais não é obrigado’ o preço dos bilhetes será definido pelos espectadores no momento da sua aquisição e de acordo com a sua condição financeira e as suas expectativas. Desta forma, a direcção do Citemor define um modelo que “pretende ser inclusivo e desafiar o público a participar.”

12.4.12

De Paris a Orleães: "Measure it in inches" apresentado amanhã na cidade francesa

António Pedro Lopes e Marianne Baillot continuam o périplo pelo país das baguettes e dos croissants, país que é referência pelo apoio do estado à criação artística. Da cidade das luzes, os performers viajam até Orleães, cidade a cerca de 120 km a sul de Paris, para duas apresentações de "Measure it in inches". Os espectáculos vão decorrer amanhã, 13, às 19h e às 22h, no Théâtre d'Orléans. "Measure it in inches" estreou no ano passado, no Citemor.

Aqui fica um vídeo do espectáculo apresentado no Teatro Esther de Carvalho, em Montemor-o-Velho, em Agosto de 2011:

29.3.12

António Pedro Lopes e Marianne Baillot vão a Paris

O espectáculo "Measure it in inches", que estreou no ano passado no Citemor, vai ser apresentado hoje, às 19h30, no Théâtre de Vanves. A obra é uma co-produção com o Citemor, com o Théâtre de Vanves - Scéne Nationale de Danse, com o Espaço do Tempo e com o CCN Belfort.

Não podendo ir a Paris, vejam as fotos do ensaio da obra, da autoria de Susana Paiva, e a crónica de Pablo Caruana: La deconstrucción del género


7.8.11

CRÓNICA | La deconstrucción del género

texto de Pablo Caruana

Todo empezó con un número de prestidigitación donde la psique humana se desmenuzaba y volvía aparecer en una esquizofrenia obsesiva en la que, además, se enlazaba con la situación de crisis económica actual; para continuar con un número de danza cabaretera reflectante que derivaba en número de manipulación ventrílocua. O algo así. También hubo crítica a la nobleza, hasta con música de Barry Lyndon y estética Coppola a lo María Antoñeta; y todo acabó en un número de transformismo arcimboldiano hacia lo frutal y estático. O bueno, mejor dicho acabó con el misterio, con una tela cayendo en luz barroca y un cristo emergiendo durante dos segundos para no poder implantarse en nuestra zona subcortical.
Podríamos decir que eso pasó. Y sería mentira. Es lo que tienen las palabras, lo que tienen de distancia con lo que pasa en escena. Es como las palabras -ya sean descriptivas o enumerativas, ya sean esencialmente valorativas-, se acercan más a las ideas que el creador tiene sobre lo que quiere hacer que a lo que realmente pasa en escena. Qué paso ayer en escena, cómo explicar y cronicar “Mesure it in inches”, de Marianne Baillot y António Pedro Lopes…
Intentemos otro código, apliquemos otro lenguaje, otro tipo de acercamiento.
Marianne Baillot -coreógrafa y bailarina francesa que ha trabajado durante años también en Portugal- y Antonio Pedro Lopes –performer portugués- estrenaron en el teatro Esther de Carvalho (pequeño y recoleto teatro burgués del XIX a la italiana construido en una antigua capilla) una revisitación personal del género bufo del vodevil. Un acercamiento que con libertad y desde el espacio vacío busca tratar temas de alto vuelo, como la ilusión perecedera o la pérdida de identidad y búsqueda del sentido de la condición humana. Y esta búsqueda se agarra a la ligereza del teatro de variedades, a su tendencia a la parodia y a su estructura de pequeños números con transiciones en el que un juego de luces o la misma salida de los actores son suficientes. Con una estructura dramatúrgica limpia a cargo de Rita Natalio, la pieza parece querer construir desde el esqueleto mismo, deconstruido, del género del cabaret.
Arriesgado es de esta propuesta, sobretodo, que se trabaja desde un espacio desnudo donde tan sólo se cuenta con el cuerpo del actor, la luz y el sonido. Se prescinde de cualquier decoración y de cualquier artilugio. Queda así, el número reducido a su nada. La compañía trata desde esta desnudez de mudar, transformar, modernizar, reinventar. En la mayoría de las escenas la sensación es de limitación, de pobreza, parecen primar más las ideas de lo que se quiere hacer que lo que pasa en escena. Y qué pasa en escena, pues monólogos dichos en proscenio de escasa potencia poética, escenas de una teatralidad exagerada que se quedan en la enésima parodia que parecen intentar traspasar; y esperpentos con peluca que además quieren modernizarse por referencias en la música y la estética.
Un desastre que tuvo un pequeño paréntesis de aire fresco en una escena donde el espacio se llenó de hortalizas y frutos que luego se utilizan para un pequeño juego de transformismo al cubrir el cuerpo del actor con berzas, plátanos y demás frutos. Escena que el público que abarrotaba el pequeño teatro agradeció calurosamente.
La compañía decidió acabar esta propuesta de manera abrupta a la par que moderna con una caída de telón y un descubrimiento de un crucifijo en los atrases del espacio escénico. Imagen evocadora, de contraposición con lo expuesto, donde el peso del barroco y la tradición más oscura entraba en escena confrontándose a la composición florentina a lo Guiseppe Arcimboldo del último número de la que hablábamos. Final heavy para una propuesta nada resuelta, donde los códigos de lenguaje escénico no parecen clarificados y donde la sensación es de un teatro hecho con prisa, sin reposo, sin clarificación estética. Prueba de esta confusión es el hit bochornoso en el que se canta el revolucionario y melancólico “Gracias a la vida” de la Violeta Parra.
Preocupa al que escribe la programación última, pongamos cinco años, de este espacio tan poderoso y enmarcado que es el teatro Esther de Carvalho. Es difícil dar con una relación entre las maneras de creación escénica actual y la implantación de éstas en un espacio tan tradicionalmente teatral como es este teatro. En esta ocasión, “Mesure it in inches”, parece haber intentado hacerse con el espacio en lo que ha durado su residencia. Y, aunque con pequeñas luces, cae este espectáculo en lenguajes de un teatro repetido, plano y aburrido donde además uno se pregunta dónde quedó la vida expansiva y popular del cabaret.

4.8.11

ANTEVISÃO: 2ª SEMANA

Texto de Cláudia Galhós

Fotografia de Bruno Simão

Esta é a semana das ligações perigosas. Juntam-se os artistas em parcerias explosivas cujo resultado é uma incógnita: "Measure it in inches" de e com António Pedro Lopes e Marianne Baillot, e dramaturgia e som de Rita Natálio (quinta e sexta, às 22h30, no Teatro Esther de Carvalho) e "Massacre" de e com Paulo Castro e John Romão (sábado e domingo, às 22h30, na sala B). É o prolongar da presença da criação contemporânea portuguesa, que marcou o primeiro bloco de apresentações no Citemor, deixando para a terceira semana - a final - a criação vinda de Espanha.

Marina Abramovic - artista visual e de performance americana de referência - dizia, a propósito do que devia ser o futuro dos museus, que desejava que estes fossem "espaços onde acontecem coisas, espaços plurais, de inquietude e tensão, mas também de gozo e prazer". A caracterização deste modo do lugar do museu define, em traços largos, o que deve ser o lugar da arte. A arte que se faz hoje e que age sobre a actualidade. Deve ser esse o lugar da arte, mais ainda quando esta tem uma natureza ao vivo, que transporta um sentido de partilha em tempo real, e se dissipa inevitavelmente em memória fugidia. É também um espaço de poesia. Inevitavelmente. A efémera poética do suspiro que se despede dos lábios no mesmo momento em que beija a vida.

Nos quatro dias deste final de semana de Agosto, o Citemor apresenta dois espectáculos que confirmam o Festival de Montemor-o-Velho como o lugar onde a arte acontece, como espaço plural, de inquietude e tensão, gozo e prazer. Sobre os espectáculos revela-se pouco. Serão experiências para serem vivenciadas por quem entende o acto artístico como interrupção do real, mas intimamente ligado ao real. São dois espectáculos co-produzidos pelo festival e estreados no festival. Não há adormecimento possível de sentidos em qualquer uma das duas opções, seja o "Massacre" - que reúne dois nomes de duas gerações do teatro português contemporâneo mais radical, pessoal, político, físico e provocativo, que são Paulo Castro e John Romão - seja a desconcertante e tumultuosa sessão de agradecimentos de "Measure it in inches" - que reúne, em colaboração, dois nomes da nova geração da dança contemporânea portuguesa, com personalidades muito distintas, em papéis também distintos: António Pedro Lopes, com uma voz muito singular e biográfica como criador e intérprete, juntamente com a francesa Marianne Baillot, e Rita Natálio que se situa entre a teoria e a prática artística, num olhar informado e fundamentado sobre o sentido e as possibilidades da arte hoje, que aqui assina a dramaturgia e o som.