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12.8.09

CICLO DE CINEMA AO AR LIVRE | Fome

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O Ciclo de Cinema ao Ar Livre da 31ª edição do festival Citemor reúne obras assinadas por artistas que têm desenvolvido a sua actividade primordialmente nas artes plásticas, onde se distinguiram.

A fechar o ciclo, temos “Hunger”, a primeira longa-metragem de Steve McQueen, de nacionalidade Britânica e ascendência Afro-caribenha, representante oficial da Grã-Bretanha na edição deste ano da Bienal de Veneza. As obras deste artista plástico são frequentemente filmes projectados em galerias e museus, com referências cinematográficas que passam pela nouvelle vague, Andy Warhol e Buster Keaton. “Hunger” apresenta uma estrutura relativamente clássica, dividindo-se em três actos. Se o filme deseja a sua inscrição no cinema, à realização não é todavia alheia a prática das artes plásticas do autor.

Em pleno conflito que opõe o IRA (Exército Republicano Irlandês) ao governo Britânico, à época liderado por Margaret Thatcher, a vida é uma entidade precária e ameaçada. Temos logo no início o guarda prisional que olha as ruas em redor da sua casa, inspecciona o seu carro e é olhado pela mulher através da janela. Ele teme pela sua segurança. Mas ele é também uma ameaça. Sabemo-lo quando olha a mão ferida dos espancamentos que inflige.

A primeira parte, ou primeiro acto, centra-se na degradação física e psicológica dos presos que reivindicam um outro estatuto. A questão política passa aqui por dar a ver o modo como o Estado, através da instituição prisional, vai tentar anular a possibilidade de existir dos encarcerados. O gesto radical destes, ao recusarem uniformes e condições sanitárias, devolve a radicalidade do regime britânico que não transige, albergando, assim, no seu seio, existências infra-humanas. O corpo perde a individualidade, tal como os membros das forças especiais existem enquanto uma unidade tribal. Mas está lá o olhar de um deles indiciando uma humanidade que poderia ainda resistir.

O nosso olhar é conduzido pelo das personagens. As imagens estão lá, interpelando-nos na sua dupla condição de horror e beleza como a espiral de excrementos na parede da cela que é limpa com um jacto de água. O olhar vazio da mãe do guarda prisional quando este jaz assassinado à sua frente poderia ser o nosso, desafiados na nossa compreensão dos acontecimentos, no nosso lugar de espectadores, questionando a nossa posição. É tomando uma posição, comprometendo-se, que Bobby Sands emerge como protagonista do filme. Se o seu corpo era já dificilmente uma propriedade sua, paradoxalmente, a sua individuação acontece porque decide a sua própria morte. No terceiro acto deste filme, o corpo de Bobby Sands regressa a um tempo pré-moderno; ressoam as mitologias cristãs, o sacrifício e o martírio. Mas “Hunger” permanece absolutamente contemporâneo pois a paixão do protagonista é dada ver através das incessantes figurações do corpo, com a emergência da carne.

Neste filme tão ocupado com a matéria para constituir as suas imagens, é significativo que o rosto do governo Britânico esteja ausente, sendo audível apenas a sua voz. Esta descorporização acentua a distância entre a nossa experiência do real e a regulação da existência pelos centros de poder. Margaret Thatcher é assim um fantasma que vai conhecendo sósias que dão hoje cobertura a modelos de encarceramento e tortura pelo mundo fora, como sucedeu então num dos bastiões do mundo ocidental.

Francisco Camacho

Ficha Técnica
realização: Steve McQueen argumento: Steve McQueen e Enda Walsh produção: Iain Canning, Peter Carlton, Edmund Coulthard, Linda James e Jan Younghusband música: Leo Abrahams e David Holmes montagem: Joe Walker fotografia: Sean Bobbitt interpretação: Michael Fassbender, Stuart Graham, Helena Bereen, Larry Cowan, Liam Cunningham, Helen Maddenes McAleer, Dennis McCambridge, Liam McMahon, Laine Megaw, Brian Milligan e Rory Mullen. duração: 96 min

13.8.08

A EUROPA ? - 3


CICLO CINEMA AO AR LIVRE


O Tempo do Lobo, Michael Haneke

Podemos nomear a Europa como o território em que decorre “O Tempo do Lobo” ainda que o realizador Michael Haneke não o identifique claramente. Estão lá as paisagens, o francês falado, as pessoas e outros sinais como a matrícula da viatura em que chega a família de Anne (Isabelle Huppert) à sua casa de campo, logo no início.

O acontecimento que sucede à sua chegada assinala brutalmente a desinstauração da ordem conhecida destas personagens. Seguindo-as, aprendemos as alterações profundas que afectam a vida de todos sem que sejam nunca explicitadas as suas causas.

O título do filme é inspirado no “Codex Regius”, o mais antigo poema alemão, que descreve um tempo antes do fim do mundo. A Haneke, não interessa o que poderá ter precipitado este tempo, mas sim olhar o presente de Anne e dos seus filhos Eva e Ben, assim como daqueles com quem se cruzam. A sua proposta é explorar as situações dramáticas em que nos podemos ver envolvidos quando se abatem as nossas certezas, quando estilhaça o edifício de uma certa sociedade ocidental, europeia, alicerçado no suposto conforto proporcionado pelo consumismo, pelo supérfluo.

O cinema de Haneke toma frequentemente acontecimentos extremos inserindo-os no quotidiano e não os espectacularizando. Ao invés de um filme de filme-catástrofe produzido em Hollywood, não existe aqui espaço para um herói que salva a humanidade. Assim, participações de vulto como Isabelle Huppert, Patrice Chéreau, Olivier Gourmet ou Béatrice Dalle não se entroncam numa lógica de protagonismo. Antes, eles e elas fundem-se num conjunto quase alegórico do género humano. E podemos rever-nos nestes rostos semelhantes aos nossos.

Neste mundo antes do fim, que ameaça a identidade, em perda, são só as crianças Eva e Ben que ensaiam diferentemente possibilidades de redenção. Eva tenta o contacto com o outro e estica o braço para o fugitivo, ainda que este jovem lobo a desiluda porque tudo destrói. O silencioso Ben será aquele que vai tentar um acto radical e desesperado. O choro subsequente rompe então o seu silêncio.

As situações de catástrofe não nos são desconhecidas e o século XX europeu excedeu os nossos limites de imaginar o horror. As imagens continuaram a chegar-nos e a história recente dos Balcãs relançou a reflexão sobres os limites do humano numa Europa que se queria crer noutro estádio de desenvolvimento civilizacional. “O Tempo do Lobo” foi realizado em 2002, mas é particularmente relevante revê-lo hoje, num ano marcado por conturbações na circulação e abastecimento de bens alimentares e mercadorias. Há vidas e situações no filme que são uma realidade na Europa e que podem ser também cada vez mais a nossa.

O ciclo “A Europa?” teve como primeira imagem as linhas férreas percorridas pelo comboio enquanto a voz de Max Von Sydow nos induzia a um estado hipnótico, numa contagem de um a dez. Era “Europa” de Lars Von Trier. Termina com outro comboio que não vemos, que não sabemos quem leva nem para onde vai. O forte abstraccionismo de “O Tempo do Lobo”, manifesto na narrativa e nas imagens, mantém-se neste final em que nos é dado a ver o exterior a partir de um comboio. A paisagem desta Europa parece-nos bela como o era o Paraíso final de “A Nossa Música” de Godard. Após a deriva na noite negra desta Europa, conforte-se então o olhar.

Francisco Camacho



Ficha Técnica


Realizador MICHAEL HANEKE
Argumento MICHAEL HANEKE
Produzido por MARGARET MENEGOZ – PARIS
VEIT HEIDUSCHKA – VIENA
Imagem JÜRGEN JÜRGES
Som GUILLAUME SCIAMA
JEAN-PIERRE LAFORCE
Montagem MONIKA WILLI
NADINE MUSE
Cenários CHRISTOPH KANTER
Guarda-Roupa LISY CHRISTL
Produtores MICHAEL KATZ
MARGARET MENEGOZ
Co-produzido por MICHAEL WEBER
Assistente de Realização HANUS POLAK


Elenco

Anne ISABELLE HUPPERT
Sr. Azoulay MAURICE BENICHOU
Ben LUCAS BISCOMBE
Thomas Brandt PATRICE CHÉREAU
Lise Brandt BÉATRICE DALLE
Eva ANAÏS DEMOUSTIER
Georges DANIEL DUVAL
Sra. Azoulay MARYLINE EVEN
Koslowski OLIVIER GOURMET
Arina RONA HARTNER
Nathalie Azoulay FLORENCE LOIRET-CAILLE
Béa BRIGITTE ROUAN
Polícia BRANKO SAMAROVSKI
Fugitivo HAKIM TALEB
Jean THIERRY VAN WERVEKE

Homem armado MICHAËL ABITEBOUL
Homem PIERRE BERRIAU
Constantin COSTEL CASCAVAL
Sra. Homolka LUMINITA GHEORGHIU
Water Seller FRANCK GOURLAT
O amante de música FRANÇOIS HAUTESSERRE
Mulher VALÉRIE MOREAU
Líder SERGE RIABOUKINE
Homem CLAUDE SINGEOT
Criança INA STRNAD
Marya ADRIANA TRANDAFIR


6.8.08

A EUROPA ? - 2


CICLO DE CINEMA AO AR LIVRE


A Nossa Música, Jean-Luc Godard

Pode dizer-se que o conflito entre Israel e a Palestina está muito mais no centro de “A Nossa Música” do que uma reflexão sobre a Europa. Sabemos, todavia, que o lugar de Sarajevo e a sua história, em que confluem culturas e religiões diferentes, servem de âncora para o realizador Jean-Luc Godard a uma ideia de Europa.

Estruturado em três partes distintas e à semelhança d’ “A Divina Comédia” de Dante, o “Reino 2 - Purgatório” é a mais longa e a acção decorre em Sarajevo. O realizador baseou-se na sua participação nos Encontros Europeus do Livro e numa sua conferência para alunos, em Sarajevo, tomando-as como matéria de ficção. “A Nossa Música” é um filme ficcionado e não o registo documental desses acontecimentos, embora o aspecto documental esteja presente formalmente.

A nouvelle vague, movimento que inovou a linguagem cinematográfica teve em Jean-Luc Godard um dos seus protagonistas. A sua prática artística constitui-se como um caso à parte e a sua influência estende-se até hoje. A reunião de diferentes linguagens como a ficção e o documentário inscrevem-se numa lógica de interrogação do cinema e das suas possibilidades de interpelação do real.

O seu cinema é como que uma tarefa incessante de questionar o Mundo, a exemplo das suas personagens que se lançam em divagações filosóficas ou citações incessantes de diversos autores, obras e artistas. Como noutros filmes, conta mesmo com a participação de alguns.

Oriundas de vários pontos da Terra, a presença destas figuras e personagens que circulam em Sarajevo, faz-se sob o intuito de invocar a possibilidade de reconciliação. Pensar e promover a reconciliação em Sarajevo é pensar também a Europa. O escritor catalão Juan Goytisolo foi autor de uma das criticas mais contundentes sobre a União Europeia em relação ao conflito que se instalou na Bósnia. A sua presença neste filme é significativa. Haverá uma obrigação da Europa de se pensar e intervir activamente no sentido da reconciliação? Poderá a jornalista israelita Judith Lerner (Sarah Adler) encontrar em Sarajevo respostas para a resolução do conflito entre Israel e a Palestina?

Se é com Judith que estamos durante a primeira metade do segmento “Reino 2 – Purgatório”, será para Olga Brodsky (Nade Dieu) que o foco se desvia até ao final do filme, já com o segmento final “Reino 3 – Paraíso”. Podemos dizer que a primeira está do lado do documentário, acompanhando as obras de reconstituição da Ponte da cidade de Mostar, enquanto que a segunda nos encaminha para a ficção. É pelo seu olhar que vemos um Paraíso guardado por marines americanos, onde comer uma maçã poderá já não acarretar o castigo de homens e mulheres.

Olga e Judith são aqui sintoma de alteridade, de um eu que é um outro na perspectiva do encontro com a Morte, seja esta “o possível do impossível” ou o seu reverso, como se diz na primeira parte do filme. Este verdadeiro ensaio de campo e contra-campo que é “A Nossa Música” faz-se na Europa, mas faz-se também com imagens de guerras, máquinas de matar e vítimas de outras paisagens. A música de que fala o título é a luz que procuramos em face deste horror.

Entretanto, o projecto de reconstituição da Ponte de Mostar alterou-se. O arquitecto Gilles Péqueux que participa no filme foi demitido e a ponte não foi reconstituída com as pedras originais. “Lembras-te de Sarajevo?” E da Europa?

Francisco Camacho



Ficha técnica

Título Original: Notre Musique
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 80 minutos
Ano de Lançamento (França): 2004
Estúdio: Les Films Alain Sarde / Canal+ / TSR / Vega Film AG / Avventura Films / Peripheria / France 3 Cinéma
Distribuição: Wellspring Media
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard
Produção: Alain Sarde e Ruth Waldburger
Música: Julien Hirsch
Direção de Arte: Anne-Marie Miéville
Edição: Jean-Luc Godard


Elenco

Sarah Adler (Judith Lerner)
Nade Dieu (Olga Brodsky)
Rony Kramer (Ramos Garcia)
Jean-Christophe Bouvet (C. Maillard)
Simon Eine (Olivier Naville)
Mahmoud Darwich (Mahmoud Darwich)
Juan Goytisolo (Juan Goytisolo)
Jean-Paul Curtier (Jean-Paul Curtier)
Pierre Bergounioux (Pierre Bergounioux)
Gilles Pecqueux (Gilles Pecqueux)
Jean-Luc Godard
Elma Dzanic
Leticia Gutiérrez
Ferlyn Brass
George Aguilar


30.7.08

A EUROPA ? - 1


CICLO DE CINEMA AO AR LIVRE


EUROPA, Lars Von Trier

O Ciclo de Cinema ao Ar Livre proposto no Citemor - 30º Festival de Montemor-o-Velho reúne três filmes sob o título “A Europa?”. Ao fazê-lo, aponta-se uma direcção para os olhar; juntos, proporcionam matéria de reflexão e questionamento.
O filme de Lars Von Trier intitula-se mesmo “Europa” e é o último de uma trilogia que realizou sobre a Europa, seguindo-se a “O Elemento do Crime” (1984) e “Epidemia” (1987). Conquistou o Prémio do Júri do Festival de Cannes, em 1991, a par de outros prémios e nomeações internacionais.
A manipulação é uma constante do cinema de Von Trier e aqui ela é expressa logo no início. A voz-off de Max Von Sydow, induzindo um estado hipnótico, faz o protagonista Leopold Kessler (Jean-Marc Barr) e o espectador entrarem na Europa do filme. A contagem de um a dez é dirigida tanto a ele como a nós, conduzidos a um tempo e a um espaço de subjectividade.
O filme convoca traços estilísticos e formais de diferentes contextos cinematográficos como sejam o expressionismo alemão e o cinema clássico de Hollywood, nomeadamente os filmes sobre a II Guerra Mundial. Mas a opção por filmar personagens contra projecções, a conjugação de diferentes distâncias focais, a coexistência do preto-e-branco e da cor são ferramentas de que o realizador se mune para instaurar a subjectividade e a pluralidade. Os contextos narrativos não são evidentes nas suas leituras assim como não o é a posição de Leopold Kessler.
O jovem norte-americano com ascendência alemã quer participar no esforço de reconstrução da Alemanha após a guerra. O choque do pragmatismo norte-americano com o momento histórico alemão é evidenciado pelo branqueamento que o Coronel Harris (Eddie Constantine) faz do passado Nazi de Max Hartmann (Jørgen Reenberg), subornando a testemunha judia (significativamente desempenhado pelo próprio Lars Von Trier). Se os motivos para o suicídio violento do ex-colaborador Nazi não são explicitados – embora a sua filha aponte o sentimento de culpa – já o gesto do Coronel releva de uma linha de politica externa norte-americana. O alemão, ao não conseguir pactuar seja com a culpa, seja com a perspectiva de um pais sob ingerência externa ou seja pela impossibilidade de uma sociedade assente num modelo de perfeição equivalente ao do comboio de brincar que tem em sua casa, instaura um acto que estilhaça a realidade. Ao passo que o norte-americano evidencia um gesto propriamente oportunista, fazendo com que a reconstrução do pais seja assente em mentiras e obliterando o passado, a responsabilidade.
É difícil não ler nas imagens do tempo actual da narrativa o espelho das imagens mesmas da guerra, sendo que até a rede de comboios é aquela que transportava os judeus e as outras vítimas para os campos de concentração. O surgimento do comboio é fantasmático e, ao atravessar mais tarde as suas zonas mais recônditas, Leopold Kessler confrontar-se-á com esses seres destinados ao extermínio. O passado está também ainda presente na acção dos “lobisomens”, que levam a cabo acções terroristas, perpetuadores da ideologia Nazi. Entre estes está Katharina Hartmann (Barbara Sukowa). O modo como ela descreve a Leopold a alternância da sua predisposição mental – sendo que o seu lado “lobisomen” se manifesta na noite – evidencia o conflito ideológico e moral subjacente na Alemanha.
Leopold desejaria um lugar neutro nesta Europa e a interpelação que Katharina lhe faz no final questiona, de facto, se as suas decisões corresponderão a uma tomada de posição ou ausência de posição. Na sequência do exame a que é sujeito para ascender nos quadros da empresa Zentropa e, simultaneamente, da obrigatoriedade de decidir sobre a vida e morte dos passageiros ou de quem ama, acentua-se o abismo, o pesadelo. É a vez de Leopold instaurar um acto que o liberte do pesadelo. Mas se o estado hipnótico a que Leopold e nós fomos induzidos nos permitiu testemunhar uma realidade de outro modo dificilmente suportável ou imaginável, emergir dele, emergir em pleno oceano como se renascêssemos incólumes e inocentes é impossível. Desta Europa, não há como escapar.


Francisco Camacho


Ficha técnica

EUROPA
(Zentropa, Dinamarca/ França/ Alemanha/ Suécia/Suíça, 1991)
Direção: Lars von Trier
Elenco: Jean- Marc Barr, Barabara Sukowa, Lawrence Hartman, Udo Kier, Eddie Constantine, Ernst- Hugo Järegård, Erik Mork, Jorgen Reenberg, Henning Jensen, Lars von Trier e Max von Sydow (narrador)
Roteiro: Lars von Trier e Niels Vorsel
Direção de fotografia: Henning Bendtsen, Edward Klosinski e Jean-Paul Meurisse
Efeitos visuais: Jan- Erik Sandberg
Montagem: Hervé Schneid
Figurinos: Manon Rasmussen
Música original: Joachim Holbek
Produção: Peter Aalbæk Jensen e Bo Christensen
Produtor associado: Philippe Bober
Estúdio: Alicéléo / Det Danske Filminstitut / Eurimages / Fund of the Council of Europe / Gérard Mital
Productions / Institut suisse du film / Nordisk Film / Sofinergie 1 / Sofinergie 2 / Svenska / Filminstitutet (SFI) / UGC Images / WMG Film,
Duração: 112 min