17.7.14

Paulo Castro regressa a Coimbra

Dono de uma linguagem muito própria, Paulo Castro apresenta-nos um teatro provocador e marcado por um humor corrosivo. Com uma ligação muito emotiva com Coimbra, Castro volta à cidade e ao Citemor com “Decomposition”, uma estreia nacional que parte da figura de D. Sebastião. O espectáculo decorre nos dias 24 e 25 de Julho, às 21h30, no TAGV, em Coimbra

Fotografia de Tobin Lush (Rodeo)

Paulo Castro nasceu em Vila Real e foi parar ao teatro no ensino secundário  devido a um erro de secretaria. Na verdade, queria seguir música. Mais tarde, já no Porto, opta por estudar cinema e profissionaliza-se como actor no  Teatro Experimental do Porto. Data deste período a sua primeira encenação, "Beckett", apresentada no Citemor, em 1992. Com um percurso muito ligado a Coimbra, onde trabalhou com o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) e com a Escola da Noite, na década de 90, Paulo Castro mantém com a cidade dos estudantes uma relação emotiva. "Fiz algumas direcções para o TEUC, de peças de Fassbinder e Arrabal. Foi em Coimbra que realmente eu dei o salto", conta o actor e encenador. Regressa ao Porto em 1996 para integrar o elenco do Teatro Nacional de São João (TNSJ), onde trabalhou como actor em várias obras sob a direcção de Ricardo Pais, Giorgio Barberio Corsetti e José Wallenstein. "Ricardo Pais tinha-me visto como actor numa peça d’A Escola da Noite, "A Visitação", e convidou-me para entrar no "Dom Duardos", a primeira produção do nacional [TNSJ]. O salto para o TNSJ é o resultado de muito trabalho", lembra. Foi no TNSJ que encenou "Vermelhos, Negros e Ignorantes", de Edward Bond. 
Paulo Castro muda-se para Berlim, onde rapidamente encontra espaço e colaboradores para os seus projectos e onde cria “B-File” e “Wake Up Hate”, obras com larga difusão por toda a Europa. É na cidade alemã que conhece Jo Stone, bailarina e actriz de origem australiana, com quem vem a casar. Começaram por trabalhar juntos num espectáculo de Vera Mantero e, em 2003, fundam a companhia Stone/Castro. Mudam- se para a Austrália em 2006, onde se apresentam regularmente nos mais importantes teatros e festivais do país. Provavelmente o mais internacional dos encenadores portugueses (Público, 2010), Paulo Castro teve os espectáculos "B-File" (2007) e "Tom the Loneliest" (2010) nomeados para os Melbourne Green Room Awards, prémios importantes para o teatro na Austrália.  É também na Austrália que Castro produz os espectáculos “Superheroes” e “Blackout” para o Festival Internacional de Adelaide. A par do trabalho da  companhia, Paulo Castro e Jo Stone continuam a colaborar com outros grupos, nomeadamente com o Les Ballets C de la B (Ghent, Bélgica), com o Teatro Nacional D. Maria (Lisboa, Portugal), com o Teatro Nacional de São João (Porto, Portugal), com o Chunky Move (Melbourne, Austrália) e com o Schaubhne (Berlim, Alemanha), ente outros. Apesar da distância, Castro manteve a ligação com Portugal, trabalhando com o Centro Cultural de Belém, a Fundação Serralves, o Festival Alkantara e com o Citemor, onde apresentou, em 2011, a obra "Massacre, com John Romão.
Com uma linguagem muito própria, Castro acredita que é essa singularidade que contribui para a aposta no seu trabalho e que, por isso, sempre se preocupou em não copiar alguém. Assumidamente influenciado pelo teatro alemão, pelos pioneiros do teatro expressionista, sobretudo Heiner Muller, Paulo Castro apresenta obras provocadoras e marcadas por um humor corrosivo. "Algumas pessoas dizem que o meu teatro é muito violento. É a força da vida, porque se esta sociedade é violenta, então o meu teatro, por ser contemporâneo, tem que ser violento", explica o artista. Por outro lado, Paulo Castro tem muitos admiradores do seu estilo. No entanto, não pretende fazer escola: " a alternativa acaba quando se torna ortodoxia",  finaliza. 
Paulo Castro está de volta a Portugal com a estreia nacional no Citemor de “Decomposition”, nos dias 24 e 25 de Julho, em Coimbra. A obra, que teve estreia absoluta em Julho de 2013, no State Theatre SA (Adelaide), só é possível graças ao apoio do Governo da Austrália do Sul, através do departamento ARTS S.A.