19.4.13

“Montemor”: estreia nacional no IndieLisboa'13

Depois de ter passado por Marselha, Madrid e Buenos Aires, o filme de Ignasi Duarte, co-produzido pelo Citemor, tem agora estreia nacional no festival de cinema independente de Lisboa. A sessão decorre no próximo domingo, 21, pelas 15h, no Cinema City Classic Alvalade, em Lisboa 



O filme é rodado em Montemor-o-Velho, mas da vila nada se vê. Estamos perante a história de um personagem que deambula sem destino pelas florestas circundantes da localidade, proporcionando-se uma série de encontros improváveis que roçam a comédia e o absurdo. “Montemor”, uma co-produção Citemor, Periferia Filmes (Lisboa) e Pão Filmes (Barcelona), podia ser outra coisa: fascinado pela vila, pela gente e pelo Citemor, a ideia inicial do catalão Ignasi Duarte era realizar um documentário sobre o festival de
Montemor-o-Velho. “Pensei fazer um documentário que retratasse as pessoas, a equipa do festival e os artistas. Parti da ideia de pensar este deserto que é Montemor, e como é possível fazer um festival a partir da vontade, da ilusão, da crença e da fé de querer fazer as coisas. Entretanto, a ideia inicial mudou completamente. Já não é um documentário, é uma ficção”, explicou o realizador. 
“Montemor” foi seleccionado para a programação do festival IndieLisboa’13, fazendo parte da secção de sessões especiais, juntamente com mais três filmes portugueses — “Arrivederci Macau”, de Rosa Coutinho Cabral; “Bibliografia”, de Miguel Manso; e “Torres e Cometas”, de Gonçalo Tocha. O filme é apresentado no próximo domingo, 21, às 15h, no Cinema City Classic Alvalade, em Lisboa. O festival de cinema independente de Lisboa, que comemora nesta edição dez anos de existência, decorre até ao dia 28 de Abril. 
A longa-metragem de Ignasi Duarte integrou a Selecção Oficial da Competição Internacional do FID Marseille 2012 (festival internacional de cinema documental), onde conquistou uma Menção Honrosa, e fez parte da programação do Citemor Madrid, em Outubro do ano passado. Mais recentemente, “Montemor” foi exibido em Buenos Aires, no Teatro San Martín, integrando o ciclo “España Alterada”, uma mostra de cinema composta por 18 filmes representativos das novas tendências do cinema espanhol.

Veja o trailer de "Montemor":




Para mais informações, visite o site do IndieLisboa'13

17.4.13

Um manifesto contra a inevitabilidade no TAGV

É a partir de textos de Tony Judt e de Boaventura Sousa Santos que Cláudia Dias, bailarina e coreógrafa, cria "Vontade de Ter Vontade", um "manifesto contra a inevitabilidade" onde a autora transforma o palco num território — Portugal. O espectáculo decorre na próxima quinta-feira, 18, às 21h30, no Teatro Académico Gil Vicente (entidade colaboradora do Citemor), em Coimbra.








"Entendo o meu trabalho de criação como um percurso que se vai edificando no sentido de um dia vir a conceber a peça - aquela depois da qual não fará sentido criar outra. Assim, vou estabelecendo relações e up-grades entre as diferentes criações, como se em cada uma descobrisse algo mais a acrescentar a um manual de instruções operático. Quase um método. Vontade de Ter Vontade insere-se neste pensamento. É, deste ponto de vista, uma peça de continuidade de um percurso que iniciei com o solo One Woman Show e dei seguimento com Visita Guiada e Das Coisas Nascem Coisas. Mas se no fim de cada criação constato que me dediquei a questões específicas do fazer artístico, em todas o início é sempre o mesmo – não saber senão a imagem detonadora. Esta peça nasce do sentimento de confrontação geracional que sinto com muitos dos meus alunos. Confronto esse que fez-me refletir sobre a minha geração e sobre a forma como me relaciono com a antecedente e precedente. Este movimento de ir para a frente, supostamente para o futuro e para trás, para o passado, situou-me no presente. Num aqui e agora. E assim nasce a imagem galvanizadora desta nova criação, a de transformar o palco num território – Portugal. Vontade de Ter Vontade é um percurso onde as dimensões individual, coletiva, pessoal e histórica cohabitam o mesmo espaço. Diria ainda que este percurso traça um olhar sobre o momento atual que vivemos na Europa (e no Mundo), pondo em evidência as relações entre o Norte e o Sul, entre o colonizador e o colonizado, entre o central e o periférico. É também um manifesto contra a inevitabilidade.
Se eu ficar aqui, sempre no mesmo sítio, as coisas irão passar por mim em vez de ser eu a passar pelas coisas. O tempo irá passar lento, rotineiro, disciplinado e eu com ele à deriva… Como se não houvesse gravidade que me conectasse a um chão, a um território. Como se fosse aterritorial e apátrida na minha própria terra. Como se o país fosse um lugar distante, ao qual não pertencesse, do qual não fizesse parte. Como se não tivesse nada a dizer. Aqui, de boca cerrada, em silêncio, de plástico, a meter tudo no mesmo saco. Os fracos, os fortes, a amizade e o utilitarismo, o apetite e a fome, a violência, a insurreição, a Revolução de Jasmim e a acampada do Rossio, os direitos, os privilégios, o pontapé na cona e o Hermitage La Chapelle, a exclamação, a vertigem, a igualdade e o discurso sobre, a Costa da Caparica e as Bahamas, a esquerda, a direita… Tudo igual. Tudo no mesmo saco. Como se não pensasse. Como se eles pensassem por mim. Como se fosse inevitável que eles pensassem por nós. Como se a inevitabilidade fosse uma lei da física. E me restasse apenas aceitar, resignada, o eterno retorno de passar pelas mesmas coisas, uma e outra vez. Como se a existência acontecesse e não me visse. Eu, discreta, à paisana na vida. Como se estivesse a ser agida."
Cláudia Dias


Mais informações no site do TAGV

11.4.13

"Monstro" é um retrato de Portugal que o Brasil conhece bem

Texto de Jorge Louraço Figueira, publicado no jornal Público, a 11 de Abril de 2013

"O monstro está montado. Ao fim de dois anos, o Teatro do Vestido completou a sua enciclopédia sobre o estado das coisas em Portugal, com a criação e estreia do último tomo — no Brasil.
O grupo apresentou as três partes da trilogia — Calamidade, Hecatombe e Catástrofei — em São Paulo, apanhando o dia mundial do teatro (27 de Março), e as duas primeiras no Fringe do Festival de Curitiba, graças ao convite da SP Escola de Teatro e a um apoio da Gulbenkian." [ler mais...]

O Teatro do Vestido esteve em São Paulo, no Brasil, onde apresentou "Monstro", um projecto dividido em três fases (1. Calamidade; 2. Hecatombe; e 3. Catástrofe), acerca da situação que se vive em Portugal. O grupo havia encerrado o programa do Citemor, em Agosto de 2012, com a primeira parte do projecto, "Monstro (parte 1: Calamidade)", espectáculo que fez também parte da programação da extensão do Citemor a Madrid, em Outubro do ano passado.



Vídeo de Hugo Barbosa e Pamela Gallo