19.7.13

Marchar, marchar!

O Citemor celebra a sua 35ª edição num quadro dominado pela precariedade absoluta, resultado da ausência de financiamento da Direcção Geral das Artes (DG Artes) que excluiu a possibilidade de Acordo Tripartido com o CITEC e com a autarquia de Montemor-o-Velho.
Pela primeira vez, o mais antigo festival do país não beneficia de qualquer apoio do poder central, o que coincide com a implementação de um novo sistema de acesso aos financiamentos às artes em que todo o processo de avaliação foi centrado na DG Artes, sem recurso a um júri independente. Os Acordos Tripartidos evidenciaram as debilidades de um sistema permeável à arbitrariedade.
Não nos demitiremos de pensar nem de defender os nossos pontos de vista, por incómodos que sejam para os poderes ou interesses estabelecidos. Continuaremos a fazê-lo com a mesma frontalidade de sempre, pois há princípios de que não abdicamos, ainda que tenhamos que pagar um preço elevado. Se a última edição foi dominada por um espírito de resistência, esta será de combate.
Com equipas técnicas e de produção, designer, tradutores e outros colaboradores em regime pro bono, com a cumplicidade dos criadores, companhias e salas que partilham a programação, o Citemor propõe um programa estimulante, rico e diverso, que apresenta alguns projectos fundamentais nas artes performativas contemporâneas no espaço ibérico, sublinhando a sua imprescindibilidade. Depois de se estender a Coimbra, o festival este ano chega também a Lisboa, mantendo a mesma forma inclusiva de aceder aos espectáculos: cada espectador dá o que pode.
Não temos qualquer expectativa de reverter esta situação com estes protagonistas. Contra um poder tão ignóbil e irresponsável sentimos uma obrigação: lutar. Por Portugal!
A Direcção do Citemor