31.7.12

EM ENSAIO | John Romão & Solange Freitas | Eu não sou bonita. Eu sou o porco

Fotografias de Susana Paiva










Citemor

(texto da  Mala Voadora, originalmente publicado em www.malavoadora.blogspot.pt)

Chegámos agora a Lisboa, vindos de apresentar philatélie no Citemor, em Coimbra.
O Citemor é um festival. Apesar de manter alguma actividade em continuidade, tem uma programação essencialmente concentrada em poucas semanas, como é habitual nos festivais. Mas é um festival particular. Tem um tempo particular. Em dois sentidos.
Primeiro, grande parte dos artistas que vão a cada edição do festival, em Montemor-o-Velho, vão para lá trabalhar – trabalhar de facto nos espectáculos, e não apenas montá-los, apresentá-los e desmontá-los. Cada equipa trabalha num determinado espaço, e as várias equipas encontram-se para refeições conjuntas e também nas esplanadas da praça central da vila, ou nos espectáculos umas das outras, ou à noite depois de uma dia de trabalho. Por vezes estas temporadas servem para acabar um espectáculo, outras para começá-lo. Ou fazem-se experiências curtas, de laboratório, propícias a riscos para os quais nem sempre se encontra disponibilidade. Em qualquer dos casos (e mesmo quando se apresentam produtos mais acabados) a equipa do Citemor opta por acompanhar, em duração, e não por juízos instantâneos. É esse o tempo em que decorre cada edição do festival.
Segundo, o Citemor mantém relações continuadas com os artistas que programa. Renova-se e apoia artistas novos (por vezes desde os primeiros trabalhos), varia de edição para edição, mas privilegia o retorno. É assim que os artistas desenvolvem relações com o festival e o seu amplo público, e também com outros artistas. As relações são coisas que se constroem ao longo do tempo. É esse o tempo que o festival promove ao longo das suas sucessivas edições.
Tudo isto parece bastante romântico. Ou: é romântico. Mas é também bastante político. O tempo do Citemor é, na verdade, contrário a tudo o que determinam as “leis de mercado”. É, com uma coerência e uma perseverança invulgares, anti-capitalista. E, nessa medida, é um exemplo raro para se pensar em “política cultural” com alguma profundidade política (e também para se pensar em “para que serve acumular anos de existência”).

29 de Julho de 2012
mv

ESPECTÁCULO | Philatélie | Mala Voadora

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo


29.7.12

DISCURSO DIRECTO | Rafael Alvarez

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo


DISCURSO DIRECTO | Olga Mesa

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo


28.7.12

Depoimento de João Brites

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo

"Estar no Citemor, e sermos co-produtores do Citemor, é um gesto que não podia ser de outra forma. (...) O que está em causa não é só o Teatro O Bando e o Citemor, o que está em causa, em última instância, é a soberania do nosso país, com a sua língua, com as suas múltiplas tendências."


CITEMOR 2012 | Teatro da Cerca de São Bernardo

Fotografias de Susana Paiva
















ESPECTÁCULO | Recusa | Teatro da Garagem

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo


27.7.12

EM ENSAIO | Recusa | Teatro da Garagem

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo


DISCURSO DIRECTO | Carlos J. Pessoa

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo


DISCURSO DIRECTO | Susana Anágua

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo

"Quando fui convidada pelo Luís Alegre para integrar o programa do Citemor, vim a Montemor-o-Velho e o meu interesse recaiu logo na bonita e fantástica paisagem com os arrozais e decidi trabalhar naquele que tem vindo a ser o meu trabalho de campo que é tentar perceber as áreas de produção da terra."


DISCURSO DIRECTO | João Brites e Miguel Jesus

Vídeo e montagem de Hugo Barbosa e Pamela Gallo

"Eu acho que esta sociedade vive muito daquilo que se vê e do que é explícito e a nós interessava-nos abordar a temática da cenografia num enquadramento que permitisse às pessoas ter várias oportunidades de ver o outro lado. Aquilo que podemos ver hoje no Citemor, e ainda bem que o Citemor existe e ainda bem que apesar desta crise e destes momentos difíceis nós podemos  estar presentes no Citemor, neste gesto de solidariedade para com o festival, é a primeira vez que é feita em Portugal e tenta lançar uma estação nesse percurso de uma obra que não está acabada." 
João Brites


26.7.12

Espírito de resistência marca 34ª edição do Citemor

texto de Cláudia Teixeira

Numa edição marcada pela alteração de paradigma absolutamente extraordinária, tanto pela programação, como pelas circunstâncias em que se realiza, o Teatro da Garagem estreia a obra “Recusa”. O Teatro O Bando desafia o público a conhecer-se de costas, numa estreia nacional, e Susana Anágua propõe uma nova visão sobre a tradicional produção da região, o arroz. O festival de Montemor-o-Velho decorre de 26 de Julho a 11 de Agosto




“Eu acho que esta vida, esta sociedade, vive muito daquilo que se vê e que é explícito e interessava-nos abordar a temática da cenografia num enquadramento que permitisse às pessoas terem várias visões, várias oportunidades de estimular a curiosidade de ver o outro lado.” As declarações chegam-nos de Palmela e é João Brites, director artístico do Teatro O Bando, quem o diz. “De Costas” fez parte da representação portuguesa “Do Outro Lado” na 12ª Quadrienal de Praga e é, pela primeira vez, apresentada em Portugal. João Brites e Rui Francisco, cenógrafo e arquitecto na companhia, desafiam o público, pelo qual a plateia de 50 cadeiras espera, a escolher a sua hora e conhecer as suas costas. Porque “do outro lado está o desconhecido” e “se fôssemos capazes de ver de inúmeras perspectivas seríamos certamente mais firmes e simultaneamente mais tolerantes com as questões que não fossem essenciais.” A instalação pode ser visitada de 26 de Julho a 11 de Agosto, na Praça da República, em Montemor-o-Velho, das 00:00 às 24:00. Começa assim a 34ª edição do Citemor.
O programa do primeiro dia do festival continua com a vídeo-instalação “GATÕES - Fábrica de Descasque de Arroz 1 a 9 de 9”, de Susana Anágua. No seguimento daquilo que tem vindo a ser o seu trabalho de campo – o envolvimento com a região onde intervém e com as suas áreas de produção –, e após uma visita à vila de Montemor-o-Velho, a artista visual propõe uma obra que se centra no característico arroz do Baixo Mondego. Da instalação, patente no Quarteirão das Artes de 26 de Julho a 11 de Agosto (excepto às segundas), das 19h às 22h, fazem parte os vídeos “Fábrica de Descasque de Arroz 1 a 9 de 9” e “Do Vale do Paraíba ao Mondego”. Em entrevista ao Blogue Citemor, Susana Anágua explica que o projecto, com música original de Paulo Sousa, parte da visita à Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho, antiga fábrica Patrão Rosete e Sucrs Lda, onde se procede ao descasque e branqueamento de arroz, e de uma relação proporcionada pela apropriação de uma reportagem de uma televisão brasileira acerca da festa de arroz da Prefeitura de Tremembé.
A vídeo-instalação inscreve-se na estratégia de curadorias delegadas, opção do Citemor para abordar as artes visuais, em que o artista da presente edição será o curador na edição seguinte. O processo, que teve início com José Maçãs de Carvalho, continuou com Luís Alegre e apresenta agora Susana Anágua, que será a curadora na edição de 2013.
Das instalações para o teatro. Para o Teatro Esther de Carvalho, em Montemor-o-Velho, onde o Teatro da Garagem “Recusa” a extinção institucional do Citemor. Carlos J. Pessoa, director da companhia, decidiu escrever uma nova obra para esta edição do Citemor que, devido aos cortes infligidos à cultura, poderá vir a ser a última de 34, afirma a direcção do festival. “Recusa” vai ser apresentado nos dias 26 e 27 de Julho, no Teatro Esther de Carvalho, às 22h30.
Sob o lema ‘Quem dá o que pode a mais não é obrigado’ o preço dos bilhetes será definido pelos espectadores no momento da sua aquisição e de acordo com a sua condição financeira e as suas expectativas. Desta forma, a direcção do Citemor define um modelo que “pretende ser inclusivo e desafiar o público a participar.”
Em comunicado de imprensa, a direcção do Citemor, explicou a particularidade da 34ª edição do festival e a “alteração de paradigma” que se prende com o facto de “o Citemor deixar de produzir novas obras com os criadores e companhias e passar, excepcionalmente, a ser participado por estes, que se associam ao festival com o estatuto de co-produtores”, num modelo que é, naturalmente, irrepetível. Questionado acerca da escolha de participar no Citemor como co-produtor, João Brites diz que “é um gesto que não podia ser de outra forma” e sublinha que “o que está em causa não é só o Teatro O Bando e o Citemor. O que está em causa é a soberania do nosso país com a sua língua, com as suas múltiplas tendências.” Carlos J. Pessoa faz um post scriptum à sinopse da obra: “Se o Citemor tiver que morrer, que não morra de esmolas, que morra com dignidade; que morra porque os artistas se calaram ou, então, porque o Armando Valente e o Vasco Neves deixaram de os querer ouvir.”

Citemor reforça presença em Coimbra
O Teatro da Cerca de São Bernardo recebe a bailarina e coreógrafa espanhola Olga Mesa com “Daisy Planet”, espectáculo que integrou o programa do Citemor em 1999. A artista apresenta a obra como “uma carta de amor-ficção, a ideia de que o amor é como um corpo presente, duplicado, íntimo e constantemente exposto.” É nesta peça que o artista visual Daniel Miracle cria o protótipo Neokinok.TV para acrescentar uma nova dimensão ao espaço cénico. Segue-se Rafael Alvarez, com a antestreia do solo “sweetSKIN”, que terá estreia em Setembro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Realizando um investimento marcante no desenvolvimento do seu trabalho a solo, o bailarino e coreógrafo português questiona “de que forma é que a percepção de qualquer imagem é afectada pelo que sabemos, pelo que acreditamos, da mesma forma que a distância ou a proximidade definem a perspectiva de como olhamos e analisamos um objecto ou uma acção.” Os espectáculos decorrem no dia 28 de Julho, às 21h30 e 22h30, respectivamente. 
A Mala Voadora mostra-nos a sua colecção de selos singular em que “a iconografia é simultaneamente tema e protagonista visual do espectáculo.” “Philatélie” é uma remontagem especial que pode ser vista na Oficina Municipal do Teatro, no dia 29 de Julho, às 21h30. 
O Teatro Académico de Gil Vicente recebe no dia 31 de Julho, às 21h30, John Romão & Solange Freitas, numa apresentação informal de “Eu não sou bonita. Eu sou o porco”. A obra, com textos de Angélica Liddell e Paulo Castro, é um objecto teatral sobre o abuso sexual na infância, onde “duas figuras se revestem do endemoniamento das personagens de Frans Hals e da nudez grega de Louis David.”

EM ENSAIO | Teatro da Garagem | Recusa

Fotografias de Hugo Costa Marques













20.7.12

Resistir

A 34ª edição do Citemor decorre em circunstâncias extraordinárias. Após cortes sucessivos impostos pela DG Artes, que representam no nosso caso uma perda, em dois anos, de aproximadamente 75%, esta é uma edição de resistência. Um gesto simbólico que pretendemos com significado político.
Nesta edição verifica-se uma alteração de paradigma. O Citemor deixa de produzir novas obras com os criadores e companhias e passa, excepcionalmente, a ser participado por estes, que se associam ao festival com o estatuto de co-produtores. Este modelo, implementado para obviar os custos de uma paragem em 2012, é, naturalmente, irrepetível.
Numa edição particularmente difícil, só possível graças ao empenho de parte da comunidade artística, o Citemor reforça a sua presença em Coimbra partilhando a sua programação com as três principais salas da cidade: Oficina Municipal de Teatro, Teatro da Cerca de São Bernardo e Teatro Académico de Gil Vicente. 
O modelo de acesso aos espectáculos pretende ser inclusivo e desafiar o público a participar. Os bilhetes não terão preço fixo, sendo este estabelecido pelos próprios espectadores no momento da sua aquisição. Queremos viver cada momento deste festival como uma celebração, com a consciência de que poderá ser o último de 34.
Quando falamos do Citemor, não está em causa apenas um festival. O Citemor é muito mais do que uma mostra. Dada a sua vocação produtora, além de contribuir para a ampliação de um circuito de difusão, co-produz e está associado à criação de dezenas de novas obras no teatro, na dança, nas artes visuais e algumas propostas híbridas, um traço de identidade fundamental no projecto.
Apesar das dificuldades evidentes e da suspensão da programação do Teatro Esther de Carvalho, o nosso balanço não é de todo negativo. Teve estreia em Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura, "El Lamento de Blancanieves", de Olga Mesa, uma co-produção Citemor com o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, com a FRAC Alsace e com o Théâtre Pôle Sud de Strasbourg; em Junho integrámos com "Montemor", de Ignasi Duarte, a Selecção Oficial do FID Marseille, festival de referência que explora as fronteiras do cinema documental, obtendo uma Menção Honrosa; e estamos a programar para Outubro, no Teatro Pradillo, em Madrid, uma mostra de criadores nacionais.
O Citemor é hoje um factor decisivo de identidade territorial, contribuindo para uma imagem moderna da região associada à criação artística. Revela um impacto considerável na economia local e teve sempre uma estratégia de internacionalização eficaz. Mas o capital que detemos, proveniente de mais de 30 anos de uma prática continuada, está definitivamente em causa.
Neste momento queremos reafirmar algumas posições já assumidas. A cultura é um sector cronicamente sub-financiado e sub-avaliado quanto ao seu real contributo para a economia das cidades, das regiões e do país, em particular as artes performativas. Não nos parece sensato, sob o ponto de vista económico, desinvestir desta forma e impôr cortes cegos num sector que, apesar de já descapitalizado, mantinha a sua capacidade produtiva intacta.
A cultura não é uma despesa, é um investimento. A criação artística contemporânea constituirá amanhã o nosso património, o nosso legado. Um país sem criação contemporânea é um país desmaiado, sem alma e, a prazo, sem identidade.
A Direcção do Citemor

16.7.12

Citemor | A festa que recusa a história de uma morte anunciada

crónica de Claudia Galhós

Se esquecermos a história, o que é que sobra desta identidade? A questão é colocada por Dinis Machado, criador e actor (não o escritor de "O que disse Molero"), a propósito da sua nova peça, "Black cats can see in the dark but are not seen", que tem antestreia na edição de 2012 do festival Citemor. E é essa uma das inquietações do espírito do tempo presente. Como avançar para um futuro se perdermos o passado? O grande e longínquo passado e aquele mais recente, que construímos juntos nas últimas décadas? Este foi um passado que, na História de Portugal - a sua história política, social, humana e artística - tem apenas cerca de 40 anos de existência em liberdade e respeito pelo valor humano. Uma história que no caso concreto das artes performativas contemporâneas, de autor, conheceu o seu maior fôlego a partir das décadas de 80 e 90. O que fazer se a querem condenar ao desaparecimento e ao esquecimento? Como construir futuro?


fotografia de Rita Couto

A maior parte da realidade diversa e rica que ganhou corpo e expressão autoral artística nas artes performativas está ainda a fazer-se adulta. Mal saiu da adolescência. Está plena de fulgor, de diversidade geracional e abordagens alternativas ao mundo. Não teve tempo de amadurecer. Mas estarão a matá-la? O Festival Citemor em 2012 surge com um sabor de fim de festa. Mas com a esperança de que depois das comemorações não fiquem apenas destroços, lamentos e ruínas, mas se erga a partir do já edificado, muito dele da ordem do imaterial e efémero, e se abra a possibilidade de continuar, indo mais além. Porque este é o dilema de uma comunidade artística em situação de asfixia, mas também é o dilema de um país, que se vê forçado a pegar nas enxadas e pás para cavar as sepulturas de quem ama e agoniza.
De algum modo, o programa do Citemor revisita muitas das suas cumplicidades, e renova algumas colaborações. A afirmação, entendida genericamente, serviria para definir qualquer uma das edições do festival. Mas este ano, este elenco de propostas artísticas surge mais completo e representativo do que tem sido o papel deste evento. Voltam "pais" do teatro português e dança contemporâneos, representantes de uma velha guarda pulsante que deseja manter o diálogo com as novas gerações, como são o caso do Teatro O Bando, de João Brites, grupo que tem para o Citemor uma importância filiadora (apresenta uma instalação de cadeiras de teatro, "De Costas", propondo ao público que se sente e fotografe a sua condição de espectador); ou o caso do Teatro da Garagem, de Carlos J. Pessoa, companhia com uma grande cumplicidade com o festival, que estreia uma nova encenação, com texto de sua autoria, chamado "Recusa"; ou caso ainda do coreógrafo Francisco Camacho, parceiro antigo e consultor do festival, que repõe o solo "Nossa Senhora das Flores". É neste patamar que também surgem alguns dos nomes de artistas espanhóis que participam desta edição, dando continuidade à linha programática em que é afirmada a duplicidade portuguesa e espanhola, que tem sido marcante nos últimos anos: Olga Mesa regressa com uma remontagem especial de "Daisy Planet" (apresentado em antestreia no âmbito deste mesmo festival em 1999) ou a coreógrafa Elena Córdoba com a estreia de uma nova peça, "Atlas, el gigante y la vértebra".
A elencagem da programação segundo um esquema geracional, sempre discutível, é a forma possível de tornar visível a renovação e dinâmica criativa de um país, que também aqui sofre da ameaça de estagnar, interrompendo um diálogo de diferenças que se faz não apenas pela idade mas também por múltiplos outros factores que constroem identidade. Há neste programa uma geração que definiríamos como intermédia, vinda do teatro e da dança, que surge com abordagens pessoais ao acto criativo, propondo possibilidades de narrativas e histórias singulares. No teatro temos a Mala Voadora, de Jorge Andrade e José Capela, com a reposição de "Philatélie" e o Teatro do Vestido, de Joana Craveiro, com a apresentação de "Monstro", uma criação em progresso.  Susana Vidal apresenta uma remontagem especial de "Bombas (ou agonias para estes tempos felizes de crises)", último espectáculo da trilogia "Bombas", e Fernando Renjifo estreia "14 Visiones". Na dança há Rafael Alvarez com a antestreia do solo "sweetSkin". 
Depois há um teatro e dança já do século XXI, com nomes como John Romão que regressa ao Citemor, numa passagem breve por entre a vertiginosa dinâmica criativa que o tem levado a todo o mundo, partilhando numa apresentação informal o espectáculo "Eu não sou bonita. Eu sou o porco", com Solange Freitas, a partir de textos de Angélica Liddell e Paulo Castro. Dinis Machado apresenta em antestreia "Black cats can see in the dark but are not seen" e António Pedro Lopes explora o ambiente privado de uma sala de uma casa particular de Montemor-o-Velho para apresentar "Agosto, melhor sentado do que de pé melhor deitado que sentado", estreia de uma peça criada a partir da escultura "Sete na Cama" de Louise Bourgeois. 
Resta referir que a vertente de artes plásticas tem um novo capítulo nesta edição, prosseguindo a lógica de consultoria iniciada com a exposição, há dois anos, do artista Maçãs de Carvalho, que foi no ano seguinte comissário deste mesmo espaço, tendo escolhido Luís Alegre. Este ano é Luís Alegre quem assina o comissariado, tendo escolhido Susana Anágua. E novamente por via de um gesto artístico, se toca um mundo que nos escapa, recuperando a História para dar sentido ao futuro. No caso de Susana trata-se de um vídeo, "Fábrica de Descasque de Arroz 1 a 9 de 9", filmado na  antiga Fábrica Patrão Rosete Sucrs, Lda (Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho), onde a artista conheceu o processo de descasque e branqueamento do arroz da área do Mondego. E dali para o mundo. Simbolicamente também representado por um outro vídeo de Susana Anágua, "Do Vale do Paraíba ao Mondego", onde coexistem imagens "da festa de arroz realizada na Prefeitura de Tremembé em 2010 e as belíssimas paisagens de arroz de Montemor-o-Velho ou planos mais abstractos das máquinas de descasque em funcionamento".
Para resistir ao apagamento do passado e enquadrar toda esta dinâmica artística que liga por três semanas (26 de Julho a 11 de Agosto) Montemor-o-Velho a Coimbra (há espectáculos nas duas localidades), há ainda o blogue www.citemor.blogspot.pt, por onde passam conteúdos paralelos, entre filmes, fotografias e textos, e que incluirá uma entrevista de fundo ao economista Augusto Mateus, para um olhar especializado sobre arte e economia num mundo que precisa de sonhar, afirmar a diferença pelo reforço da identidade, para construir o seu futuro.

11.7.12

Menção honrosa para “Montemor”

Ignasi Duarte descreveu o filme como sendo “a viagem de um personagem que parte de casa e que depois verá se regressa ou não”. Não sabemos se regressa, mas sabemos que traz uma menção honrosa



“Montemor”, uma co-produção Citemor, Periferia e Pão Filmes, recebeu uma Menção Honrosa na categoria de Primeiras Obras do FID Marseille 2012, festival internacional de cinema que decorreu de 4 a 9 de Julho na cidade francesa. 
O filme é protagonizado por actores e habitantes de Montemor-o-Velho e nasce do fascínio do realizador pela vila do Baixo Mondego. Ignasi Duarte esteve no Citemor, pela primeira vez, em 2005, a trabalhar com Roger Bernat, e ficou “fascinado pela vila, pelo ambiente, pela gente da vila e do festival”, conta o realizador a Cláudia Galhós, aquando as filmagens da longa-metragem. Ao Expresso, Ignasi Duarte explicou que “ ‘Montemor’ foi filmado tal como se filmam os documentários sobre a vida dos grandes mamíferos. Ou seja: sempre à espreita, num estado de grande expectativa, mas sem procurar uma história ou outro recurso ou muleta narrativa.”

4.7.12

Citemor | teaser

 Vídeo de Luís Alegre