29.6.12

Um ano depois

texto de ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, Ipsílon

"Apesar dos esforços e consequentes ganhos que muitos artistas, obras de culto ou investigadores têm alcançado nos territórios internacionais de intervenção, é por decisão do Governos que estamos, todos os dias, um pouco mais longe dos mundos a que importa pertencer."

1.6.12

"Montemor" estreia em Marselha

O filme, de Ignasi Duarte, é uma produção Citemor e integra a Selecção Oficial da Competição Internacional do FID Marseille 2012 que vai decorrer na cidade francesa de 4 a 9 de Julho


Fotografia de Susana Paiva

No momento em que o Citemor prepara a sua 34ª edição com dificuldades reconhecidas — o festival esteve em risco de não se realizar — a sua equipa tem, apesar de tudo, um motivo de satisfação. O filme "Montemor" de Ignasi Duarte, rodado em Montemor-o-Velho e protagonizado por actores e habitantes da vila, foi convidado a integrar a Selecção Oficial da Competição Internacional do FID Marseille 2012, um festival de referência, que cumpre a sua 23ª edição e que explora na sua programação as fronteiras do documentário.
Para a direcção do festival, "nem sequer importa se o filme vai obter algum prémio, a sua selecção para uma mostra tão importante já é muito gratificante. Num momento em que o Citemor luta pela sobrevivência, mais uma vez o reconhecimento vem do exterior".
A selecção é composta por 19 produções oriundas de geografias tão diversas como: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Espanha, Argentina, Egipto, México e Guatemala, Tunísia, Líbano, Taiwan, Palestina e EUA. O filme "Montemor", que para além de estar a concurso na Selecção Oficial participa também na Competição Primeiras Obras, é produzido pelo Citemor com Periferia Filmes (Lisboa) e Pão Filmes (Barcelona).
Numa entrevista realizada por Cláudia Galhós durante as filmagens, Ignasi Duarte falou um pouco sobre aquilo que o motivou para realizar "Montemor" e sobre a temática da longa-metragem: "Em 2005 estive aqui a trabalhar com o Roger Bernat e fiquei fascinado pela vila, pelo ambiente, pela gente da vila e do festival. E pensei fazer um documentário das pessoas, da equipa do festival, dos artistas. Partiu da ideia de pensar este deserto, que é Montemor, e como é possível um festival, a partir da vontade, da ilusão e da crença, da fé, de querer fazer as coisas. Fascinava-me pensar que podia ser uma forma de falar do que move as pessoas. Entretanto, a ideia inicial mudou completamente. Já não é um documentário, é uma ficção.
Estive no Inverno e na Primavera aqui, em Montemor, conheci o sítio, localizei os personagens que me interessavam. Era importante escolher, é muito fácil cair na dispersão, porque aqui existem muitas coisas bonitas, especiais. É a viagem de um personagem que, no caminho, encontra outras personagens. É muito simples. Parte de casa e encontra-se com distintas aventuras e depois se verá se regressa ou não a casa."