29.7.11

ANTEVISÃO | TEATRO DA GARAGEM

Texto de Cláudia Galhós

fotografia de Susana Paiva


Aqui e agora? Onde estamos? Estas são algumas das questões que Carlos J. Pessoa, director do Teatro da Garagem e encenador, transporta na peça "Sede Remix" que estreia hoje no Citemor, no Castelo de Montemor-o-Velho. Breve excerto da entrevista a publicar no blogue do festival.

"O 'aqui e agora' nas práticas teatrais na era digital é uma questão que me interessa muito. O conceito de 'aqui e agora' é aquele que mais diferencia o teatro das outras artes e, de grosso modo, serve de empurrão à emergência de todo o movimento da performance e dos Performance Studies e as questões levantadas a partir dos anos 70 da Escola de Antropologia, do Victor Turner e Richard Schechner. O que as tecnologias vêm fazer é desestabilizar este conceito de 'aqui e agora', que abordamos neste espectáculo, 'Sede Remix', por exemplo. Onde é que estamos? Estamos aqui ou não estamos aqui? Interessa-me explorar isso. Porque do ponto de vista de uma abordagem do humano, de uma definição do que é o humano neste confronto com esta evolução exponencial da tecnologia, há uma desestabilização nisto, que é perigosa. Gozo com isso de fininho no espectáculo. Com o pós-humano. Acho o pós-humano perigoso porque significa, de certa maneira, depositar uma esperança nas máquinas e da integração. É o movimento ao contrário do que devia ser. Por isso é que faço este espectáculo assim. É também sobre o movimento de sujeição das pessoas às máquinas, e não sujeição das máquinas às pessoas.