23.7.10

CHECKSOUND | Norberto Lobo


fotografia de Susana Paiva

Pouco passava das 17h30 quando Norberto Lobo subiu ao palco do Teatro Esther de Carvalho. Sozinho no palco, e já de guitarra acústica nos braços, dá os primeiros acordes e pergunta: “tá bom?” Da régie solta-se um sinal afirmativo. Tudo a postos para o ensaio.
Sentado numa cadeira de madeira, construída por presidiários, simples como o próprio guitarrista, Norberto limpa a guitarra acústica com um pano vermelho, condizendo com as meias.
Três focos de luz iluminam o guitarrista. À volta dele alguém filma, alguém fotografa, alguém escreve. “Nunca fiz som com tantos mirones”, atira, bem-disposto. De uma simplicidade arrebatadora, o autor de Pata Lenta pede “mais guitarra”. “Ou menos voz, como preferires”, esclarece. Tudo ok para a régie. O checksound prossegue.
Norberto limpa a testa, faz calor no Esther de Carvalho, e muda de instrumento. Alguém pergunta do que se trata. É uma tambura, um instrumento indiano com a qual o músico lisboeta vai abrir o concerto. Tudo óptimo com a tambura, apenas um jeito nos graves.
São 18h e Norberto Lobo dá por encerrado o checksound. Começa a arrumar os instrumentos mas ainda dá uns acordes em pé, mesmo no limite do palco, de costas voltadas para o público imaginário. Em jeito de experimentação. Sai do palco de mochila azul às costas, a guitarra acústica e a tambura. Simples até na altura de se retirar.
Que bela forma de se começar um festival!

Cláudia Teixeira