12.7.07

EQUIPA DO BLOG

JESÚS UBERA:


Fotógrafo del blog Jesús Ubera


— O principal é tu quereres.

— É.
— Quem tudo quer tudo pode.
— Dizem.
— Não há coisa mais bonita que uma pessoa cheia de boa vontade.
— Às vezes, acontece.
— E se depositam confiança na gente, temos de corresponder.
— Assim parece.
— Quando não, como iria o mundo?
— Isso é que eu já não sei.
— Pois sei eu!
— Então, diz!
— Não é assim tão fácil.
— Mas sabias.
— Sabia. Mas nem tudo o que a gente sabe nos aproveita.
— Já o dizia a minha mãe, antes de morrer.
— Isso é o principal. Dizer tudo, antes de morrer. Dizer tudo, e depois morrer.
«Exercícios de conversação» de Luiz Pacheco
em «Exercícios de Estilo»


Uma equipa
de dois escritores (Claudia Galhós e Pablo Caruana Húder), um fotógrafo (Jesús Ubera) e dois videastas (Hugo Barbosa e Pamela Gallo) vão acompanhar o festival e construir formas de diálogo com esta edição de 2007. A proposta é que a escrita, o olhar, a documentação – enfim, a sugestão de uma memória subjectiva – se inscrevam na paisagem criativa e humana de Montemor-o-Velho de uma forma dinâmica, não se limitando a reproduzir através de um media próprio (as palavras ou a imagem) o que ali se passa. O movimento, presente nas artes performativas, é inerente à própria dinâmica do olhar. É um acto criativo e autoral, e é também um permanente pôr em diálogo o que se passa no Citemor durante estas semanas. Este «pôr em diálogo» tem implícitas três dimensões: o blogue (mais imediato, utilitário, automático e efémero); o presencial (comunicação directa e ao vivo, tanto em interacção com os artistas e a organização e todos os seus intervenientes como as pessoas e a realidade da comunidade onde o programa ocorre, Montemor-o-Velho, e que pode ser simplesmente oral) e o documento (o registo com outro tempo de reflexão, que se traduzirá num objecto, livro ou CD-rom ou ambos, a ser produzido à posteriori). A realidade aqui abordada, e cujos diálogos se desejam estabelecer, não se circunscreve à cobertura dos espectáculos e das pesquisas artísticas resultantes das residências (que são uma importante e significativa especificidade do festival) mas também o relato do contexto onde estas dinâmicas ocorrem, as pessoas que ali vivem, os seus hábitos, as suas histórias, a sua paisagem natural e a citadina. E, como resultado deste cruzamento, alcançar que as duas realidades se encontrem em diálogo, fazendo ressonância desses «exercícios de conversação» nas palavras e nas imagens fixas na memória, seja efémera ou documental.

Cláudia Galhós


Bueno
, definirse y describirse es algo diferente. Pero si esto se trata de decir porqué uno hace lo que hace, diría, ante todo, que soy observador, observador en su término extremo, a lo Bartleby confeso. Claro, el problema viene porqué teatro y no el viento meciéndose sobre las copas de los árboles. Y aunque no es excluyente, diré que, aparte de lecturas infantiles y púberes, de atracciones atávicas o provenientes de la influencia familiar, si soy observador de esto, de teatro, es porque encuentro refugio. Refugio del cansancio de perderse por las calles sin nada que hacer, descanso de la tiranía del día, la semana, la tarde y sobre todo de la noche. Refugio y descanso. Fue una elección profesional. Escribir sobre cine, sobre el gobierno, sobre la política internacional, sobre los sucesos… Decidí que el teatro estaba un poco fuera del aletargado y asqueroso devenir de las cosas. Y hasta hoy, descansando como periodista, como programador, como jurado –sí, hasta eso- y sobre todo como público. Llevo un año sin ver nada de teatro, de danza, de performances o de lo que sea. Llego a Montemor cansado, exhausto, llego a descansar y a refugiarme. A olvidarme.

Pablo Caruana Húder