26.9.07

> VIDEO 2007



TEATRO O BANDO
João BRITES, 15/07/07


MONTAGEM, Praça da República, 13/07/07


PRIMEIRO ENSAIO, Praça da República, 14/ 07/ 07


ENSAIO DE LUZ, Praça da República, 15/ 07/ 07


MONTAGEM TÉCNICA, Praça da República, 15/ 07/ 07


ENSAIO DE SOM, Praça da República, 16/ 07/ 07




MARTA PISCO
No Teatro Esther de Carvalho


ENSAIO a 360 horas da estreia


ENSAIO a 2 semanas da estreia


ESTREIA




RAFAEL ALVAREZ
" Última Chamada " , Sala B , 28/ 07/ 07


" Colecção Privada " , Sala B , 28/ 07/ 07




ANGÉLICA LIDDELL

Subida de Flecha ao Quarteirão




CARLOS MARQUERIE
Carlos Marquerie e Compañia Lucas Cranach no 29º Citemor


"El temblor de la carne" Estreia celeiro do gatoeiro 10/08/2007



A MORTE DO ARTISTA

Tiago Rodrigues conta a história do projecto



SPACEBOYS

Concerto de encerramento - Castelo 11/07/07



CICLO DE CINEMA AO AR LIVRE
Projecção de " Amarcord " de Federico Fellini , 25/ 07/ 07


Projecção de " American Beauty " de Sam Mendes , 29/ 07 07


25.9.07

> FOTOGRAFIA 2007


Angélica Liddell
fotografia de Jesús Ubera









A Morte do Artista
fotografia de Jesús Ubera




ENSAIO: Carlos Marquerie
fotografia de Jesús Ubera







Territórios

Victor "Gibóia"

fotografia de Jesús Ubera




Luís Leal, Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho
fotografia de Jesús Ubera




Clarisse de Santa Rita
fotografia de Jesús Ubera




Olívio, o barbeiro
fotografia de Jesús Ubera




Jorge Camarneiro, dirigente do PCP em Montemor-o-Velho
fotografia de Jesús Ubera


Primeira Página 2007



“A CÂMARA DEVERIA RECONSIDERAR O SEU APOIO AO FESTIVAL”

À conversa com JORGE CAMARNEIRO, dirigente do PCP de Montemor
P. C.


Hablamos con Jorge Camarneiro, Dirigente del PCP en Montemor y electo en la Asamblea Municipal. Le acompaña, Celeste Duarte, también miembro del Partido. Nos reciben en la sede del Partido, cerca del la Praça da República. Una sede extraña, ya vieja, con un precioso cartel que da a la calle. El interior no puede ser más apropiado, nos sentamos en una sala donde los pequeños sillones están dispuestos en un corro de configuración asamblearia. Presiden las paredes un cartel de Lenin y un paisaje de Montemor naïf con dos campesinos recogiendo el arroz. Todo impone e invita al diálogo. Empezamos.
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ANATOMIA DE UM DESEJO
Claudia Galhós

Há dois tipos de obras – lembraram-me recentemente: as obras que falam de si e as obras que falam por si. Nestas últimas, há aquelas que vão ainda mais longe: que nos roubam as palavras, que nos deixam mudos, recolhidos no interior de nós próprios, embalados pela doce ou intranquila ressonância do sugerido numa vivência íntima e desestabilizadora do sentir. «O Tremor da Carne», estreado mundialmente a 10 de Agosto no Festival Citemor, em Montemor-o-Velho, é dessa natureza.
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«MONTEMOR É VIÁVEL»

Claudia Galhós

Os tempos mudam. A paisagem urbana e rural muda com eles. Miguel Figueira, arquitecto da Câmara de Montemor-o-Velho, fala do «grande vazio» que ficou nos campos, deixado pela mudança dos meios de produção em que a agricultura perde importância, deixa de empregar mão-de-obra que foge para o sector terciário. Uma conversa sobre Montemor e a visão do futuro, a partir de um centro histórico que, defende Miguel, é o centro do Vale do Mondego, para desafiar a pensar uma ideia de cidade, como «eixo urbano que começa na Figueira e termina em Coimbra». O que lhe importa é: qual é a viabilidade de Montemor, no presente e no futuro. O resto, para ele, é música. Mas lá vai dizendo que os contextos urbanos, antes de serem cal e pedra, são gente. E, já agora, que «Montemor é viável».
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DIEZ PREGUNTAS Y UNA POSDATA

Carlos Marquerie, director de “El Temblor de la carne”, de la compañía Lucas Cranach.
P. C.

Treinta años haciendo teatro, Carlos Marquerie necesitaba una entrevista, hace mucho que esto no pasaba y con esa responsabilidad y emoción la hemos hecho.
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TREINO
Entrenamiento matinal de los tres actores de “El temblor de la carne”, de Lucas Cranach, dirigido por Carlos Marquerie.

fotografia de Jesús Ubera

Lola Jiménez. Entrenamiento de texto, 11:15 de la mañana, alrededores de Montemor. Con la velocidad de la bici y contra el viento.
Parte del texto dicho en la obra elegido por ella: “El paso del tiempo parece silenciar la mentira, la camufla y vive en el poder de la riqueza. Sube a mi joroba y escupe que la belleza reside en las sombras de mi cuerpo”.


fotografia de Jesús Ubera

Andrés Hernández. Entrenamiento vocal y de texto, 11:40 de la mañana, espacio Gatoerio, parte de atrás de la nave agrícola, espacio lleno de miles de cagadas de paloma.
Parte del texto dicho en la obra elegido por él: “Como fenix, o al menos con la aspiración del fenix, me entrego a la noche con pasión ciega. Y con la luz del amanecer, descrubro las plumas perdidas en el intento de renacer. Pluma a pluma la perdida conquista espacio en mí. Acumulo pérdidas y aumenta mi deseo”.


fotografia de Jesús Ubera

Getsemani de San Marcos. Concentración, respiración, estiramientos y texto
Parte del texto dicho en la obra elegido por ella: ”A la sombra de una flor me protejo y en el silencio escucho tu cuerpo. Me dijiste: Miedo por el estruendo de los pájaros al amanecer. Y en la noche una mano se introduce en una masa negra coronada por un cráneo. Agostado, el viento ya no mece tu cuerpo. (Agostar: la acción de sentir el peso de la vida sobre la espalda e irse dejando caer con suavidad)”.

P. C.



FERREIRA, deambulante

P. C.

Cuándo un hombre se convierte en pegatina. Ferreira pasea por la Praça da Republica, que conmemora una revolución, una revolución que lo trajo de Angola allá por el 75, pasea y pide tabaco, da las gracias, es pesado y amable al mismo tiempo, sabe que cumple un papel y se ciñe a él con solvencia.

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TIAGO RODRIGUES:
“QUEREMOS CONTINUAR A TRABALHAR”

P. C.

Tras la proyección del film resultado de lo que empezó siendo una residencia artística en la edición pasada de Citemor, “A morte do artista”, pudimos hablar con Tiago Rodrigues, integrante del equipo que estuvo trabajando con un artista anónimo a punto de morir. Treinta minutos de documental, de ficción, de imágenes que esconden un proyecto mayor, fallido, que nunca será acabado pero que sigue vivo. Rodrigues nos explica.
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A NOITE SEM FIM DA INFÂNCIA
Claudia Galhós


O espelho de Alice está partido. Desfeito em mil fragmentos. Como o teatro. Como os tempos actuais. Mas este espelho, ainda não desfeito em pó, permite passar para o outro lado, para o mundo do sonho, da fábula, onde o encantamento se impregna de sangue e ternura. É nesse mundo que se situam as obras de Angélica Liddell e é esse o lugar do teatro contemporâneo, pós-dramático... Instalados nesse outro lado do espelho de Angelica Liddell, partimos de uma canção dos Arcade Fire, para analisar o teatro actual e construir aquilo que quase poderia ser... uma espécie de manifesto.
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1ª PARTE DE TRÊS ACÇÕES E UM CAMINHO
P. C.

“Lesiones”, del 2003, “Broken Blossoms”, del 2005 y “Yo no soy bonita”, del 2006. Qué difícil que es poder ver tres trabajos diferentes de un mismo artista en un mismo espacio-tiempo, y que esclarecedor, para quien lo crea y para quien lo ve. Empiezo ahora a cronicar, a reflexionar sobre ellos. Continuaremos en días sucesivos.
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FRA ANGÉLICA EM MONTEMOR-O-VELHO
Alberto Augusto Miranda

Do atento, nestes dias.
Despachar algumas artroses mentais, por reunião em rola barca, um carro de máxima demografia, algumas bioenergias não aproveitadas para a velocidade, A14. Não sei se o Manuel Azevedo, parágrafo residente do livro, chegou a perceber que estava noutro sítio, enquanto o Salviano Ferreira nunca tirava da testa clandestina os seus óculos de cabelo.
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UMA FORMA PERDIDA
Ensaio de “El temblor y la carne”, de Lucas Cranach.
Estreia a 10 de Agosto
P. C.

Ensayo, 5 de agosto. Primera vez que se hace un pase entero de la obra. No estaba previsto, empezó a ir y se dejó que fuese.
Dios mio que aluvión. Tres actores en escena (Getsemani de San Marcos, Lola Jiménez y Andrés Hernández). El espacio, una nave agrícola a 1 kilómetro de Montemor.
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ÓDIO AO TEATRO

Claudia Galhós

"O meu corpo é a minha obra de arte", diz Angélica Liddell. Enrolada, amarrada a uma manta. Nua por baixo. O corpo, assim, atado, refém da ruína dos dias tristes, das vidas que se aprisionam nas normas sociais, reclama liberdade, com os pés imobilizados em pedestais de gesso. O gesto assim, impedido, contido, castrado, grita a impossibilidade. O gesto assim, desequilibrado, rasga as entranhas que procuram apaziguar a dor por entre as marcas das pedras na carne ferida. Para esmagar a desatenção e a apatia.
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MONTEMOR-O-VELHO: "cidade criativa"

Claudia Galhós

Articular ambiente, desporto e cultura num programa mais amplo e ambicioso. Esta é apenas uma das vertentes do projecto da Câmara de Montemor-o-Velho, que chamou "Impacte" - significa "Parque Temático de Indústrias da Criatividade e da Tecnologia" - no qual a cultura tem um papel determinante.
Em cerca de duas horas de conversa com o Presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, Luís Leal, perspectivaram-se os planos que defende para a vila e para a região. Uma visão que é política, económica, mas que integra as lógicas das "cidades criativas", onde a cultura, a criatividade e as novas tecnologias, novas indústrias e novos olhares sobre o mundo, são protagonistas. Uma conversa com vista para o Festival Citemor, o CITEC, o Teatro Esther de Carvalho, o Quarteirão das Artes, o castelo, o centro histórico e o Baixo Mondego.
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O PESO DE ABRAHAM

P. C.

"Temor y temblor", Instalação de video de Angélica Liddell

“Heme aquí” respondería si alguien me llamara. Así comienza el último trabajo de Angélica Lidell que se presenta junto con las tres acciones programadas en el Festival (“Lesiones…” 2003, “Broken Blossom” 2005 y “Yo no soy bonita” 2006). Cinco años de trabajo en un mismo espacio-tiempo, casi nada.
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TRÊS ACÇÕES UMA NOITE, ANGÉLICA LIDDELL

P. C.

Tercer día de función de las tres “acciones” de Angélica Lidell, acciones de choque de un teatro duro, aspero y que va al núcleo de temas donde se obliga al espectador a la no indiferencia. Tercer día y lleno en las tres obras. Con boli en mano y foto rápida preguntamos a un público que va viendo cada acción con respeto y silencio.
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OLIVIO, el barbero

P. C.

Nos afeitamos con olor a jabón sin aromas y cierto deshabito en nuestras pieles nada curtidas. Cuando te afeita, notas sus dedos como van acomodando plieges a la cuchilla, sin dudas, con una facilidad pasmosa. Se habla, logicamente y más entre ibéricos vecinos, de fútbol. Luego le preguntamos, por su barberia, por su padre que fue carnicero… Su hijo, presente, nos va ayudando a entendernos.
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UMA TABERNA QUALQUER

P.C.

Como me mola ver trabajar a Jesús. Diferencia entre plasmar y traducir a la puta palabra. Entre fotografiar y escribir. Decía Berger que antes de la fotografía tan sólo existía la memoria, y que la fotografía tan sólo fija apariencias y no significados tal como hace la memoria.
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RECORDO-OS COMO GIGANTES ENORMES, MAUS

P.C.

Gibóia: Porqué te hable de eso, no sé, la obra no decía nada. El 25 de abril fue otra cosa, y algo mucho peor en África, porque los “chocolates”, los “pretos”, los “matungos” se apropiaron de la Revolución.

último Portugal era uno de sus eslabones más débiles, y al mismo tiempo, elimperio colonial que restaba en el mundo. Portugal mantenía, bajo dominio militar directo, un territorio 22 veces superior al suyo, con una población de más de 14 millones de habitantes. Ese dominio directo chocó con los diferentes movimientos de liberación nacional, sobre todo en Angola y Mozambique, disparando los gastos y el sufrimiento de la población portuguesa.
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CLARISSE DE SANTA RITA
A bruxa de Montemor-o-Velho

Claudia Galhós

Uma história de Montemor, por entre as andanças dos tempos antigos, das brincadeiras de criança, dos bailes, do teatro, do canto, da dor da perda, dos afectos, e das artes de ler a alma.
É ela quem diz, logo assim, de entrada, a sorrir, para início de conversa. «Sou a bruxa de Montemor». Ela conta entre risos. «Fui a única pessoa apresentada ao Presidente da República, quando era ainda o Jorge Sampaio, como bruxa».
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CARLOS MARQUERIE, 1º contacto
P. C.

Carlos Marquerie. Director de “El Temblor de la Carne”, estreno 10 de Agosto.

Este capullo tiene más de 50. Sólo hay dos personas de esa edad con lo que me enganche y ellos se enganchen. Quizá tres. Hace un huevo que no hablo con él. Estomago lleno y vasodilatador, y ganas. No hablamos de teatro, o sí, pero no de su pieza, acaba de ensayar, de trabajar espacio y no merece la pena. Hace dos años estrenó aquí y ahí sí estuve más dentro, sabía cómo iba, de qué, y hubo conversaciones sobre la obra a saco. Ahora no, y está bien.
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SALVAMO-NOS QUANDO NOS REPRESENTAMOS

Claudia Galhós


Breve conversa com João Brites e Teresa Lima a propósito de «Os Vivos», uma estreia do festival Citemor.

Chama-se «Os Vivos», a peça que O Bando estreou em Montemor-o-Velho, no passado dia 19 de Julho (e que pode ser vista de 13 de Setembro a 21 de Outubro, em Palmela, no espaço do Teatro O Bando). Este texto de Jacinto Lucas Pires marca o regresso do colectivo de João Brites ao festival Citemor, com uma década de intervalo.
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Territorios - “A Câmara deveria reconsiderar o seu apoio ao Festival”

fotografia de Jesús Ubera

“A Câmara deveria reconsiderar o seu apoio ao Festival”
À CONVERSA COM JORGE CAMARNEIRO, dirigente do PCP de Montemor

Hablamos con Jorge Camarneiro, Dirigente del PCP en Montemor y electo en la Asamblea Municipal. Le acompaña, Celeste Duarte, también miembro del Partido. Nos reciben en la sede del Parido, cerca del la Praça da República. Una sede extraña, ya vieja, con un precioso cartel que da a la calle. El interior no puede ser más apropiado, nos sentamos en una sala donde los pequeños sillones están dispuestos en un corro de configuración asamblearia. Presiden las paredes un cartel de Lenin y un paisaje de Montemor naïf con dos campesinos recogiendo el arroz. Todo impone e invita al diálogo. Empezamos.

La primera en la frente. Con ese didactismo propio de los padres salesianos –perdón por el exabrupto, pero es que España estuvo llena- este comunista, afable y campechano, nos hace una lectura política de la permanencia en el poder del Partido Socialista Portugués, sustentada en la alienación del pueblo, en su falta de conciencia política, pero comparándolo con los equipos de fútbol: “que mi padre es del Benfica, pues yo también, que mi amigo es del Lisboa, pues yo también. Sí el Benfica y el Lisboa son los clubes mayores, la mayor parte de la población también lo es. Así se fue haciendo la composición del mapa político de este país después del 25 de abril”. Así, queda explicado el proceso de disolución del peso político del partido histórico en la oposición durante la dictadura, el PCP. Ahí es nada, todo con buenas palabras, sonrisas y sencillez.
Al preguntarle porqué es comunista responde con un silogismo elocuente:

“Yo vi que aquellos hombres que durante tantos años tuvieron el coraje de luchar contra el fascismo, contra la dictadura, contra aquella aberración, y apoyar a las personas más desfavorecidas no podían ser malas personas. Eso es evidente. No pueden ser malos, tienen que ser buenos, por lo tanto, tienen que tener buenas ideas, no pueden tenerlas malas. Ese fue mi primer acercamiento, luego llegarían las lecturas más teóricas, el ir identificándome con esa visión de mundo y comprendiendo las cosas generalmente, cómo funcionan todo ya no a nivel nacional sino mundial, donde las personas, los ciudadanos cada vez cuentan menos. Ser comunista, como dice mi amigo Saramago, es cada vez más un estado de espíritu”.

fotografia de Jesús Ubera

Y aquí viene la carga de peso:

Luego, hay otras personas que dada la importancia que coge el Partido Comunista justo después del 25 de abril se arriman al olor del poder, pensando que este partido es el bueno en ese momento para hacer carrera política.

¿Está hablando de Luís Leal, el alcalde?

Hablo en general, (risas). Muchos de los dirigentes del Paritdo Socialista local empezaron en el Partido Comunista, muchos de los dirigentes del Partido Social Democrata local empezaron por adherirse al Partido Comunista, incluso a los partidos mahoistas y troskistas, y sólo fue más tarde que fueron cambiando de partido. Unos, como el Presidente de la Cámara –el alcalde- llegó a participar en una manifestación y gritar “MBP en vez de PPD”, Partido Popular Democrático. Y aquí estamos.

¿Cuál es la realidad política de hoy en Montemor?

Montemor surge de una realidad muy distinta a la de otras zonas de Portugal más industriales o urbanas. Aquí todo el mundo tiene un pedazo de tierra pequeño y se creen propietarios. Además, es una zona muy dominada por la fuerza de la Iglesia y de los caciques. Entre cuentos de que los comunistas nos comemos a los niños y el miedo a perder su trozito de tierra aquí el PCP tiene mucho menos peso que en otras zonas. Pero bueno, me hablabas de la realidad de hoy.
En la Asamblea somos 21 repesentantes electos directos y 14 de las juntas municipales. En Montemor hay una coalición del CDS con el Partido Social Demócrata, Luis Leal que es el alcalde es de este partido, que tiene 13 directos y un total de 17; luego el Partido Socialista tiene 7 y poco más, nosotros sólo un elector, somos pobres pero “limpinhos”. Hay 25 mil electores, según el censo del 2001, eso quiere decir que votan unas 12 mil pesonas. Por lo tanto, al PCP, más o menos, votan alrededor de 1000 personas.
Hace 30 años teníamos más, cuatro representantes, pero nunca mucho más. Siempre ganó el Partido Socialista, lo que pasa es que el anterior Presidente de la Cámara Municipal es un tonto, lo tenía todo en la mano pero por apoyar al gobierno en vez de a la población en las inundaciones del 2001, perdió.

Se habla de una población envejecida, de un pueblo con riesgo de abandono. También se habla de un Montemor con futuro, de un nuevo Parque Industrial ¿Qué piensa el PCP de esto?

El problema más grave de Montemor es que no conseguimos que los jóvenes se quden aquí como residentes fijos, se van, a Coimbra, a Lisboa o a Oporto. Eso lleva pasando años. Yo soy ejemplo de ello, me tuve que ir a Oporto porque simplemente no encontraba trabajo aquí. Vuelvo los fines de semana, pero durante la semana estoy allá. El 90 por ciento que comenzó en el 74 con CITEC y con el Festival de Citemor ya no viven aquí. Yo también formé parte de CITEC, actuaba, incluso escribí una obra, pero como los otros tuve que irme.
Aquí solo hay empleo miserable. No hay empleo cualificado, no se estimula a los jóvenes a adquirir formación para poder desarrollarla, eso no existe.
Por tanto, nosotros hace muchos años que defendemos como algo fundamenta las inversiones en los planes industriales. El problema es que la inversión ha sido nula y ahora llega tarde. Todo esto empezó hace 15 años y todavía estamos costruyéndolo, al principio. En la política como en la vida hay que arriesgarse, es mejor arriesgarse que hacer una carretera que sabes que te va a dar votos, esos son arreglos de fachada que no llevan a ningún lado. El parque industrial, pues claro, pero había que haberlo hecho antes y con una inversión más decidida. Y con una salvedad, se tiene que hacer con una planificación urbanistica lógica y no haciendo unas horribles viviendas dormitorio, todas iguales de cuatro o cinco pisos. Hay que evitar que Montemor se convierte en una ciudad dormitorio. Montemor, por su historia, se merece una vida propia, por eso es por lo que hay que luchar.

Citec y Citemor ¿Qué piensan de la relación que tiene el Ayuntamiento con el proyecto y que piensa de las decisiones que el Ayuntamiento está tomando?

Como persona que ha estado ligado a este movimiento y como persona, también hay que decirlo, que en los últimos años no ha dedicado la atención suficiente al Festival, paréceme que Citemor se ha abierto con mucho éxito al exterior pero no ha conseguido, porque no ha hecho el esfuerzo suficiente o porque es difícil en esta tierra de una población envejecida o que no tiene raices, arraigarse en la comunidad. Hace 30 años CITEC hacía 3 espectãculos diferentes en el Festival y venían 600 personas a verlo. El público principal de Citemor era de Montemor y los alrededores, hoy no, hoy la mayoría vienen de fuera, como se va a Aviñon. Citemor no ha conseguido acoger, cuidar esa relación con las personas de la comunidad, y es por esto que el gobierno municipal cae en la tendencia de cuestionar los apoyos que da, porque ese dinero no revierte más que en personas que vienen de fuera. Aquí creo que el Ayuntamiento se equivoca, creo que Citemor promueve durante más de un mes una actividad que tiene eco en radios, periódicos y televisiones. Y eso es importante y hay que saber sacarle partido.
Me parece que debería producirse un diálogo franco desde ambas partes, con una mayor voluntad por parte de Citemor de poder intentar introducirse más en la vida del Concello y hacer una descentralización del Festival. Por ejemplo, llevar un buen espectáculo de calidad nacional a Seixo.
Y el Ayuntamiento debería reconsiderar su apoyo al Festival, Citemor merece todo el apoyo, pero ha de haber contrapartidas, creo que es lícito que exiga contrapartidas como es ir a otras localidades. Por ahí va la cosa, pero está complicado, no es un problema que hoy tenga fácil solución.

P.C.

21.8.07

CRÓNICA - Anatomia de um desejo

fotografia de Nuno Patinho

ANATOMIA DE UM DESEJO


Há dois tipos de obras – lembraram-me recentemente: as obras que falam de si e as obras que falam por si. Nestas últimas, há aquelas que vão ainda mais longe: que nos roubam as palavras, que nos deixam mudos, recolhidos no interior de nós próprios, embalados pela doce ou intranquila ressonância do sugerido numa vivência íntima e desestabilizadora do sentir. «O Tremor da Carne», estreado mundialmente a 10 de Agosto no Festival Citemor, em Montemor-o-Velho, é dessa natureza. Mas que não hajam enganos, aqui esse estremecimento do corpo faz-se de silêncios, do olhar pousado sobre os objectos ou sobre a pele desnuda, faz-se das palavras sopradas como a brisa ligeira que toca, ao de leve, as flores mortas das florestas. Falam dessa proximidade da morte e dos lugares de sombra, por entre sussurros que saboreiam o desejo que ameaça, também ele, morrer.
No caso de Carlos Marquerie, a dimensão do texto, do dizer, é central. Porque na origem está a escrita, um breve poema-prosa, em tom confessional, de quem toca com a ponta dos dedos a erva húmida que suspira lágrimas de orvalho pela madrugada. Chamou-lhe «El temblor de la carne» (em português «O tremor da carne») e suspende o olhar numa Primavera de 2006, na paisagem em redor, aquela que abala o corpo, quando está vivo e se emociona e se dilui em espanto perante o mundo. Ou em dor. Perante o desassossego do viver.
A primeira entrada data de 10 de Abril de 2006. É apenas uma frase. E instala a delicada relação do homem com a natureza. «O meu filho apanha as gotas de orvalho que ficam depositadas nas flores, todas as manhãs, e guarda-as num frasco de vidro». Mas esta delicada melodia do sentir já tinha começado – no texto e na cena – numa nota de música, com essa que é «a arte da fuga» de Bach, em gravação de Glenn Gould, em que o criador, autor, escritor, homem, sopra através dos lábios do intérprete – Andrés Hernández – essa primeira confissão: «Entrego-me a cada nota do piano e estremeço em cada silêncio».
Os lábios do homem, do actor, traduzem os suspiros de Mulher. No início da peça, nesse primeiro gesto, nesse primeiro estremecimento do corpo, o teatro faz-se mínimo, íntimo – como permanecerá ao longo de todo o espectáculo – com duas silhuetas de bonecos recortados em papel, um Homem e uma Mulher, num jogo de marionetas, ao estilo do teatro de objectos, pobre nos seus materiais, como categorizam alguns, mas tão rico na sensibilidade com que traduzem a respiração do mundo.
O actor instala o Homem e a Mulher. Os gestos são pausados, num rito de precisão, imerso no que os dois representam. Do Homem, de papel, às mãos do homem, o actor, soltam-se palavras. «Como é pequeno o perfume do desejo/ e à sua sombra me envaideço e me enterro». Aquelas peles, de papel, leves como as pétalas de flores ao vento, são arrancadas dos corpos, para deixarem ver o esqueleto, esse pau grosseiro que a superficíe esconde e que esventra quando revela o destroço do ser.
Entre o desejo e as palavras ardentes, espreita o temor da perda e a ruína da carne. O tempo passa. A morte espreita. O fogo em que ardem no fim, deixa a promessa do reencontro, desses homens-árvores que se expandem em ramos para alcançar os céus, que o público testemunha pela voz da Mulher: «Como dizia aquela velha canção japonesa: “Os amantes juram um ao outro que no além serão como árvores de ramos entrelaçados”».
Estamos apenas no início de uma peça que entra pela natureza, a do orvalho que o filho guarda pela manhã num frasco de vidro, que se harmoniza, num delicado desequilíbrio, com a natureza do homem, em constante fuga de si próprio. Mas que ali, naquela moldura da procura de um sentido, que alguns convencionaram chamar palco – mesmo não sendo um palco convencional – descobre as palavras que traduzem o confronto entre precisamente tudo aquilo que é natural e tudo o que, em seu redor, é artificial. O vazio de uma humanidade perdida nos vícios e nas lógicas de consumo, quando a todo o instante o homem é espectador, perante as cores garridas do espectáculo comercial do viver.
A peça de Marquerie faz-se dessa matéria da natureza – as naturezas mortas, mais vivas do que muitas das que se arrastam na escuridão dos dias indiferentes, os cadáveres dos animais, as peles secas, e desses corpos que ainda guardam uma memória do sentir. Transpostos para a orla de uma pequena vila, num celeiro ao lado de um imenso campo de milho, por entre o som dos pirilampos e as picadas de melgas, tudo ali se articula na coerência da construção de uma atmosfera que resiste à exuberância e ao engano e se aproxima do outro, da pele do outro, da intimidade, da carne, do sexo e do sangue a pulsar nas veias.
Depois dessa terna e perturbadora entrada, por entre a penumbra da noite de suspiros, com as duas silhuetas de papel que se consomem em fogo, a peça inscreve o corpo no centro da acção, numa instalação evocativa da respiração da terra, da respiração táctil dos contornos do corpo, da mulher, que se move por entre a areia, a pedra, as cinzas.
Feminino, nu, o corpo – corpo carne e corpo palavras em carne viva – estende-se no fundo de uma mesa de análise, onde o anatomista pesquisa os póros do desejo. Por cima desta mesa, existe um ecrã que reproduz e amplia em detalhe as marcas desse mapa que, depois da passagem do corpo feminino, ali deixa marcado o seu peso, a sua forma, como um fóssil. A acção do homem, ali, é definir as medidas desse campo, criar camadas de novas existências por cima, tão repousadas ou mortas como a anterior. Esse terreno, delimitado para análise, é repisado por outros, que ali se instalam, outras vidas, vidas mortas. Fazem todos parte da mesma colecção. Dessa morte suspeita que fere qualquer desejo de tremor da carne, interior. Os corpos. As palavras. As carcaças secas torcidas, suspensas no ar, as caveiras, a arma. Fazem todos parte da mesma colecção da vida. Da morte.
O espectáculo é a instalação de uma utopia. De um espaço com um tempo próprio, que resiste ao tempo da vertigem. Fruto de uma vivência que se traduz na limpidez desnuda das palavras pronunciadas. Os corpos dos três intérpretes – Andrés Hernández, Lola Jiménez e Getsemaní de San Marcos – são os portadores desse dizer, são intermediários e são o próprio objecto desse dizer. Expostos, estendidos, de costas, escancarados, contidos, retorcidos, são o sentir na carne desse dizer, feito de histórias e feito de confissões e feito de desabafos e feito de reacção contra o mundo. E contra o corpo. E contra o próprio corpo do mundo. Um corpo que deseja sentir. Um corpo que, submerso no ruído das paisagens urbanas contemporâneas se distrai e se perde de si próprio.
A forma, num teatro descarnado, entre a instalação, a performance, e a poesia, serve em perfeição o conteúdo: tenta resgatar ao tempo uma possibilidade de descrever o seu movimento interno, profundo, ainda próximo de um sincero sentir, sujeito à dor, à ruína e à morte, mas nunca à indiferença ou ao esquecimento.
A essas palavras que arrancam as palavras, a elas mesmas e aos corpos a que elas se colam, da condenação à morte, de Carlos Marquerie fica rumores. «Na vertigem de tantas palavras mudas/ acreditamos desterrar a dor das nossas vidas,/ e atarefamo-nos em possuir, pensando/ que vivemos, quando morremos.(...)» Nesse território feito das matérias que a terra alimenta ou enterra, faz ressonância noutro corpo, que habita esse mesmo fulgor do existir, mas apenas no corpo de um livro. Maria Gabriela Llansol, em «O Senhor de Herbais»: «Eles queriam saber/ por que é que o Amor parece amar tão mal;/ por que é que os homens morrem tristes, ainda em vida;/ por que é que sempre aceitaram fazer parte dos fantasmas de um tirano.»

Claudia Galhós